A prática musical profissional é extremamente exigente. Os movimentos repetitivos, as longas horas de estudo e a alta demanda física podem contribuir para o surgimento de lesões musculoesqueléticas, problemas neurológicos e fadiga auditiva, além de questões relacionadas à saúde mental. Pensando na necessidade de ampliar o debate sobre prevenção e cuidado especializado para músicos, o Instituto de Neurologia Deolindo Couto (UFRJ) e o Instituto Villa-Lobos (UNIRIO) desenvolveram o projeto de extensão “Saúde do Músico”.
Coordenada pelo fisioterapeuta Abrahao Fontes Baptista, professor da Faculdade de Fisioterapia da UFRJ, a iniciativa busca oferecer informações e serviços voltados à promoção da saúde entre músicos, estudantes e demais interessados na área. O projeto reúne profissionais das áreas de saúde, artes e tecnologia em uma proposta interdisciplinar ainda pouco difundida no Brasil.
Segundo o professor, a área de saúde do músico vem crescendo mundialmente, mas ainda é pouco explorada no Brasil. Ele destaca que centros de atenção especializada são raros no país e, muitas vezes, dependem de esforços individuais, e não de políticas públicas estruturadas.
“Músicos, em geral, estão mais expostos a riscos de desenvolver lesões musculoesqueléticas, neurológicas e psiquiátricas do que a população em geral”, comenta Abrahao.
Entre os principais objetivos da ação estão a divulgação de conhecimentos sobre saúde do músico, a criação de canais de comunicação com a comunidade artística e a educação de músicos e estudantes sobre temas como controle motor, cinesiologia aplicada à performance musical e prevenção de lesões. As atividades incluem entrevistas semanais transmitidas ao vivo no YouTube, abordando temas relacionados à saúde musculoesquelética, vocal, auditiva, neurológica e mental do músico. O projeto também promove masterclasses mensais voltadas à neurociência da música, controle motor e performance musical.
A iniciativa é realizada em cooperação com o Instituto Villa-Lobos da UNIRIO, sob colaboração da professora Mariana Isdebski Salles, fortalecendo o diálogo entre as áreas de fisioterapia e música. Além da atuação junto à comunidade externa, o projeto também oferece oportunidades de formação para estudantes da UFRJ e de outras instituições, que podem participar da organização das atividades, da produção de conteúdo e do suporte às ações de extensão.
Com duração prevista de cinco anos, o projeto combina atividades presenciais e remotas, buscando ampliar o debate sobre saúde do músico e contribuir para o bem-estar de profissionais e estudantes da área.
Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas pelo e-mail afbaptista@fisioterapia.ufrj.br.
