Professor Aloysio Fagerlande, da EM/UFRJ, assume coordenação da Área de Artes da CAPES

O professor Aloysio Fagerlande, da Escola de Música da UFRJ, foi empossado em junho como novo coordenador da Área de Artes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Doutor em Música pela UNIRIO, mestre em Música pela UFRJ e professor titular da instituição, Fagerlande possui uma trajetória consolidada como músico, pesquisador e gestor acadêmico.

Ao longo de sua carreira, coordenou o Programa de Pós-Graduação Profissional em Música (PROMUS/UFRJ) entre 2016 e 2022, atuou como secretário-executivo do Fórum Nacional de Programas Profissionais (FOPROF) e, desde 2022, exercia a função de coordenador de Programas Profissionais na Área de Artes da CAPES. Agora, passa a liderar a coordenação da Área de Artes, responsável por acompanhar e avaliar programas de pós-graduação de diferentes linguagens artísticas em todo o país.

Em entrevista, o professor destacou os principais desafios da nova função, refletiu sobre o cenário da pós-graduação em Artes no Brasil e comentou o significado da nomeação para a comunidade acadêmica.

Confira:

O senhor acaba de assumir a coordenação da Área de Artes da CAPES. Quais serão as principais prioridades e desafios desta nova gestão?

Os desafios são sempre os mesmos, e se ampliam à medida que a Área cresce. É importante estarmos atentos para as nossas especificidades, observando as características das subáreas. Os programas da Área se subdividem em quatro subáreas amplas: Artes (que reúne programas sem subdivisão de linguagens ou com perfis interdisciplinares com áreas afins), Artes Cênicas (reunindo programas em Artes Cênicas, Dança e Ensino de Artes Cênicas), Artes Visuais (que inclui programas em Artes Visuais, Cultura Visual e História da Arte) e Música (incluindo programas em Música e Ensino das Práticas Musicais).

Há diferenças entre os programas que devem ser não apenas respeitadas como valorizadas. As diferenças vão desde as estruturas institucionais até as formas e abrangências de sua inserção social, passando por processos de ensino e aprendizagem, metodologias de formação e tipologia de produção intelectual, entre outros aspectos. Segundo o Relatório de Avaliação da Área de Artes do Quadriênio 2020-2024, a diversidade foi compreendida como um valor positivo da Área, a ser fomentada dentro da busca pela qualidade dos programas, equidade de acesso, respeito à liberdade acadêmica e à autonomia da Área de Artes.

Embora tenha havido um crescimento nos últimos anos, é importante trabalharmos para a redução de assimetrias regionais. De acordo com o Relatório de Avaliação, 44% dos programas estão situados na região Sudeste, mostrando uma distribuição assimétrica a corrigir. Também é visível uma disparidade intrarregional forte, uma vez que a grande maioria dos programas fica na capital dos estados, havendo pequena capilaridade em cidades médias. É importante ampliarmos as políticas afirmativas de inclusão, permanência e acessibilidade.

A Área de Artes considera positivamente, nos Programas em funcionamento, a existência — no âmbito da instituição ou no regulamento do Programa — de políticas de ação afirmativa que busquem promover o acesso e a permanência na pós-graduação de pessoas negras (pretas e pardas), indígenas, pessoas com deficiência e pessoas trans, bem como de boas práticas de acessibilidade. Nesse contexto, será preciso continuar o debate para a definição de medidas que considerem o período de licenças parentais para discentes e docentes.

É importante frisar que todas as prioridades e desafios são enfrentados sempre coletivamente, a partir da legislação específica da CAPES e contando com o apoio das coordenações de todos os Programas de pós-graduação, em um processo de permanente diálogo.

Sua trajetória reúne experiência como docente, pesquisador, músico e gestor acadêmico. De que forma essa vivência pode contribuir para o fortalecimento da pós-graduação em Artes no Brasil?

Todas as pessoas que coordenaram a Área de Artes nos últimos quadriênios tinham essas características dentro de suas respectivas subáreas. Precisamos pensar sempre em colaborar para uma adequada inserção de nossa Área em nível nacional e internacional. É importante fortalecer cada vez mais a compreensão de como a pós-graduação na Área de Artes é vital para o país, e de como a pluralidade dos saberes e sua produção científica são fundamentais para o seu desenvolvimento.

O senhor teve atuação destacada na consolidação dos programas profissionais, tanto no PROMUS quanto no Fórum Nacional de Programas Profissionais (FOPROF). Como avalia o momento atual dos mestrados e doutorados profissionais na área de Artes?

Em 2013, começaram a funcionar os dois primeiros programas de pós-graduação profissional em Artes no Brasil. Em 2024, por ocasião do I Encontro dos Programas de Pós-graduação Profissional da Área de Artes, realizado em novembro na CAPES, em Brasília, encontramos 14 Programas distribuídos em nove estados, abrangendo todas as regiões do país, com 225 docentes e 580 alunos matriculados, tendo formado até então 815 mestres profissionais nas diversas subáreas.

Em novembro de 2025, com a realização do II Encontro dos Programas de Pós-graduação Profissional da Área de Artes na UNESPAR, em Curitiba, esses números foram atualizados. A análise dos dados entre 2024 e 2025 revela um ritmo de crescimento constante e significativo: o número de programas aumentou de 14 para 16, representando uma expansão de aproximadamente 14%. A presença geográfica também se ampliou, passando de nove para dez estados, o que reforça a capilaridade nacional do modelo.

O corpo docente cresceu de 225 para 260 professores, um acréscimo de cerca de 15%, indicando maior capacidade de orientação e oferta de disciplinas. O número de alunos matriculados subiu para 618, mantendo a tendência de crescimento gradual. O dado mais expressivo está na formação de mestres profissionais: o salto para 1.024 representa um aumento de quase 26%, evidenciando o impacto direto na qualificação artística e acadêmica. Esses indicadores apontam para uma consolidação do modelo profissional, com expansão territorial e fortalecimento institucional, sobretudo a partir da implementação dos três primeiros cursos de doutorado profissional.

Para a comunidade da Escola de Música da UFRJ, o que representa assumir essa função em um dos principais órgãos de fomento e avaliação da pós-graduação brasileira?

É uma missão importante, com muito trabalho pela frente, que espero poder realizar da melhor forma possível, assim como todas as coordenações anteriores o fizeram. Cabe destacar que o trabalho da coordenação de Área sempre se pautou pela atuação coletiva. As coordenações adjuntas, tanto de programas acadêmicos, ocupada agora pela professora Maria de Fatima Morethy Couto (UNICAMP), como a de programas profissionais, pela professora Daniela Bemfica Guimarães (UFBA), têm um papel extremamente importante por representarem também as diferentes subáreas.

Não posso deixar de mencionar como foi significativa minha participação como conselheiro do CEPG-UFRJ durante seis anos, quando pude ter a real dimensão da pós-graduação em nossa instituição, aprendendo com sua pluralidade nas diversas áreas do conhecimento. Com certeza, essa experiência me ajudará nos grandes debates no âmbito da CAPES.

Grupo de Percussão da UFRJ apresenta obras de John Cage, Hermeto Pascoal e Steve Reich no Salão Leopoldo Miguez

O Grupo de Percussão da UFRJ realiza, no dia 30 de junho, às 19h, no Salão Leopoldo Miguez da Escola de Música da UFRJ, um concerto dedicado à música dos séculos XX e XXI, reunindo obras de John Cage, Hermeto Pascoal, Steve Reich, Hans-Joachim Koellreutter e Casey Cangelosi. Sob direção do professor Pedro Sá, a apresentação tem entrada franca.

O destaque da noite será a execução de Terceira Construção (Third Construction), uma das obras mais emblemáticas do compositor norte-americano John Cage (1912–1992), que completa 75 anos em 2026. O programa também inclui o Trio, outra importante composição de Cage, escrita em 1946 e que celebra agora 80.

As duas obras pertencem ao período inicial da produção do compositor, quando suas peças eram integralmente estruturadas e notadas, antes de sua aproximação com procedimentos aleatórios que marcariam sua trajetória artística nas décadas seguintes. Nelas, Cage explora uma ampla variedade de timbres, combinando instrumentos de percussão tradicionais com objetos sonoros inusitados, como latas, conchas marinhas e dispositivos que imitam sons de insetos, criando complexas arquiteturas rítmicas e texturas sonoras inovadoras.

O concerto também apresenta Wu-Li, de Hans-Joachim Koellreutter, compositor e educador fundamental para a renovação da música brasileira no século XX. A obra também dialoga com procedimentos da mesma vertente aleatória e experimental, característicos da produção de Cage em sua maturidade.

Em homenagem a Hermeto Pascoal, falecido em 2025, o grupo interpretará Música para Caçarolas, peça que transforma utensílios domésticos em instrumentos musicais e evidencia a criatividade sonora do compositor alagoano, conhecido internacionalmente por sua inventividade e liberdade estética.

A programação inclui ainda Clapping Music, de Steve Reich, uma das obras mais conhecidas do minimalismo musical, construída exclusivamente a partir de padrões rítmicos executados com palmas. Representando a produção contemporânea do século XXI, será apresentada também Theatric No. 6, do percussionista e compositor norte-americano Casey Cangelosi.

Com repertório que atravessa diferentes correntes estéticas e períodos da música contemporânea, o concerto oferece ao público uma oportunidade de conhecer obras fundamentais da literatura percussiva e de acompanhar a versatilidade artística do Grupo de Percussão da UFRJ.

“O concerto está absolutamente imperdível”, convida Pedro Sá.

Serviço
📅 30/06 (terça-feira) | 19h
🏛️ EM/UFRJ – Salão Leopoldo Miguez
📍 Rua do Passeio, 98 – Centro, Rio de Janeiro/RJ
🎟️ Entrada franca

XXII Semana do Cravo destaca obras raras, lançamento de livro e recitais

A Escola de Música da UFRJ promove, entre os dias 15 e 17 de junho, a XXII Semana do Cravo, evento que reúne estudantes, pesquisadores e intérpretes do instrumento em uma programação dedicada à performance, à pesquisa e à preservação do patrimônio musical. A edição de 2026 mantém a parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ampliando o intercâmbio acadêmico entre instituições dedicadas aos estudos da música antiga.

Entre os destaques desta edição estão as visitas guiadas à Coleção de Obras Raras da Biblioteca Alberto Nepomuceno, considerada um dos mais importantes acervos musicais do país. Durante as atividades, pesquisadores convidados apresentarão tratados, métodos e dicionários de música publicados entre os séculos XVI e XX, permitindo aos participantes o contato direto com exemplares originais preservados pela UFRJ.

A programação também inclui o lançamento do livro “Meus Afetos”, autobiografia da cravista Helena Jank, seguido de uma conversa com a autora. Outro destaque é a valorização da obra de José Maurício Nunes Garcia (1767–1830), cuja produção pedagógica será abordada em apresentações acadêmicas, visitas ao acervo e recitais. O manuscrito do “Methodo de Pianoforte”, pertencente à Biblioteca da UFRJ, será apresentado ao público e servirá de base para comunicações e performances ao longo do evento.

A abertura acontece no dia 15 de junho, com uma mesa-redonda sobre a Biblioteca Alberto Nepomuceno, sua coleção de obras raras e o uso de tratados históricos na interpretação musical contemporânea. Participam docentes e pesquisadores da UFRJ, UFJF e UFPE.

Nos dias seguintes, o público poderá acompanhar visitas temáticas ao acervo, abordando obras de autores como Gioseffo Zarlino, Jean-Philippe Rameau, Johann Sebastian Bach, Francesco Gasparini, Friedrich Wilhelm Marpurg, George Grove e José Maurício Nunes Garcia, entre outros.

Os recitais, realizados diariamente às 17h30, reúnem alunos e músicos convidados em apresentações que percorrem repertórios dos séculos XVI ao XVIII, além de transcrições de música brasileira para cravo. As apresentações contemplam obras de compositores como Johann Sebastian Bach, Domenico Scarlatti, François Couperin, Henry Purcell, Georg Philipp Telemann e José Maurício Nunes Garcia.

Programação completa

15 de junho (segunda-feira)

14h | Mesa-redonda
A Biblioteca Alberto Nepomuceno, sua coleção de Obras Raras e o uso de tratados na interpretação da música no século XXI

Participantes:

  • Dolores Brandão (EM/UFRJ)
  • João Vicente Vidal (EM/UFRJ)
  • Marcelo Fagerlande (EM/UFRJ)
  • Mayra Pereira (UFJF)
  • Maria Aida Barroso (UFPE)

Mediação: Marcia Taborda (EM/UFRJ)

17h30 | Recital

Apresentação oral:
José Maurício Nunes Garcia: O músico e o Método de Pianoforte

LaPHI – UFJF:

  • Clara Mira
  • Juliana Costa
  • Maria Eduarda Cruz
  • Matheus de Sá Farias
  • Pedro Henrique Reis

Participações:

  • Nina Diniz Cardoso
  • Lara Talma Fernandes
  • Maria Eduarda Porcel
  • Jonathan Nunes
  • Gisele Cordeiro
  • Mirna Hatanaka Kikawa

Repertório com obras de Bernard Viguerie, Daniel Gottlob Türk, Johann Sebastian Bach, Domenico Scarlatti, Carlos Seixas, José Maurício Nunes Garcia, além de arranjos de repertório brasileiro.

16 de junho (terça-feira)

10h | Visita à Coleção de Obras Raras – 1

Obras apresentadas:

  • Le Istitutioni Harmoniche (Gioseffo Zarlino) – Paula Callegari (UFU)
  • Traité de L’Harmonie (Jean-Philippe Rameau) – João Vicente Vidal (EM/UFRJ)
  • Coleção para teclado de Johann Sebastian Bach – Mayra Pereira (UFJF)

Mediação: Helena Jank (UNICAMP)

12h | Encontro com Helena Jank

Lançamento do livro Meus Afetos

Mediação: João Pedro Fagerlande

14h | Visita à Coleção de Obras Raras – 2

Obras apresentadas:

  • L’Armonico Pratico al Cimbalo (Francesco Gasparini) – Eduardo Antonello (EM/UFRJ)
  • Novo Tratado de Música, Metrica e Rythmica (Francisco Ignacio Solano) – Marcelo Fagerlande (EM/UFRJ)
  • Handbuch bey dem Generalbasse und der Composition (Friedrich Wilhelm Marpurg) – Helena Jank (UNICAMP)

Mediação: Rodrigo Hoffmann (CEP-EMB)

17h30 | Recital

Participações:

  • Mariana Ventura
  • Pedro Henrique Reis
  • Juliana Costa
  • Matheus de Sá Farias
  • Ladson Mattos

Repertório com obras de José Maurício Nunes Garcia, Thomas Arne, Johann Sebastian Bach, François Couperin, Domenico Scarlatti e o arranjo do Hino do Elefante de Olinda.

17 de junho (quarta-feira)

10h | Visita à Coleção de Obras Raras – 3

Obras apresentadas:

  • A Dictionary of Music and Musicians (George Grove) – Maria Alice Volpe (EM/UFRJ)
  • Dicionário Musical (Raphael Coelho Machado) – Clara Albuquerque (EM/UFRJ)
  • Os Músicos Portugueses (Joaquim de Vasconcelos) – Rodrigo Hoffmann (CEP-EMB)

Mediação: Ricardo Bessa (UFBA)

14h | Visita à Coleção de Obras Raras – 4

Obras apresentadas:

  • Methodo de Pianoforte (José Maurício Nunes Garcia) – Maria Aida Barroso (UFPE)
  • Compendio de Principios Elementares de Musica (Francisco Manoel da Silva) – Roberto Dutra (Conservatório Pernambucano de Música)
  • Methodo Pratico ou Estudos Complettos para o Contrabaixo (Lino Jozé Nunes) – Ricardo Bessa (UFBA)

Mediação: Clara Albuquerque (UFRJ)

17h30 | Recital

Participações:

  • Denes Clemente
  • Maria Eduarda Cruz
  • Patrícia Espinoza
  • Jeniffer Cristovão
  • Clara Mira

Repertório com obras de Henry Purcell, Carlos Seixas, Georg Philipp Telemann, Johann Sebastian Bach e José Maurício Nunes Garcia.

Serviço
📅 15 a 17/06 (segunda a quarta-feira) | A partir das 10h
🏛️ EM/UFRJ
📍 Rua do Passeio, 98 – Centro, Rio de Janeiro/RJ
🎟️ Entrada franca

Beatles Sinfônico leva clássicos da banda britânica à Sala Cecília Meireles

A Orquestra de Sopros da UFRJ apresenta, no dia 12 de junho, às 19h, na Sala Cecília Meireles, o concerto Beatles Sinfônico, dedicado à obra de uma das bandas mais influentes da história da música popular. Sob direção musical do professor Marcelo Jardim e regência de Gabriel Dellatorre, a apresentação contará também com a participação do barítono Inácio de Nonno, professor da Escola de Música da UFRJ.

O programa reúne arranjos para orquestra de sopros de sucessos que marcaram diferentes fases da trajetória dos Beatles. Entre as obras apresentadas estão She Loves You, Hey Jude, Yellow Submarine, Yesterday, All You Need Is Love, Something, Let It Be e Ob-La-Di Ob-La-Da, além de suítes e coletâneas que percorrem parte significativa do repertório do grupo britânico.

A participação de Inácio de Nonno acontece em obras como Golden Slumbers, The Long and Winding Road e Let It Be, ampliando o diálogo entre a tradição da música de concerto e a produção popular que atravessou gerações e permanece influente em todo o mundo.

Uma despedida antes do doutorado nos Estados Unidos

O concerto também marca um momento especial na trajetória do maestro Gabriel Dellatorre, convidado para reger a apresentação. Formado pela EM/UFRJ, onde concluiu os cursos de Licenciatura em Música e Bacharelado em Regência de Banda, além do Mestrado Profissional em Música (PROMUS/UFRJ), Dellatorre iniciará neste segundo semestre o Doutorado em Regência na University of North Texas (UNT), nos Estados Unidos.

Reconhecida internacionalmente por possuir um dos mais tradicionais e influentes programas dedicados às bandas sinfônicas, a UNT é referência mundial na formação de regentes, pesquisadores e educadores da área.

A aprovação de Gabriel representa o resultado de uma trajetória construída ao longo de anos de atuação junto à Orquestra de Sopros da UFRJ, aos projetos de extensão voltados às bandas de música e aos Simpósios Funarte-UFRJ de Bandas de Música. Gabriel também atuou como professor substituto de Regência de Banda e Prática de Orquestra na EM/UFRJ.

Nesse contexto, a apresentação ganha um significado adicional para a comunidade acadêmica da EM/UFRJ, ao marcar a última participação de Gabriel Dellatorre à frente da Orquestra de Sopros antes do início de sua nova etapa acadêmica no exterior.

Tradição e excelência na música para sopros

A Orquestra de Sopros da UFRJ realizou seu primeiro concerto em 2005 e mantém, desde 2008, temporadas regulares dedicadas à música para banda sinfônica e orquestra de sopros. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como um dos principais grupos do gênero no país, promovendo estreias de obras brasileiras e difundindo repertórios nacionais e internacionais.

Formado por estudantes dos cursos de instrumentos de sopro e percussão da EM/UFRJ, além de técnicos da universidade e participantes de projetos de extensão, o grupo também desempenha papel fundamental na formação dos alunos do Bacharelado em Regência de Banda. Sob coordenação, direção musical e regência de Marcelo Jardim, a Orquestra de Sopros da UFRJ atua como importante espaço de formação artística, pesquisa e difusão cultural.

Serviço
📅 12/06 (sexta-feira) | 19h
🏛️ Sala Cecília Meireles
📍 Largo da Lapa, 47 – Centro, Rio de Janeiro/RJ
🎟️ Ingressos na bilheteria da Sala Cecília Meireles

Orquestra de Câmara da Orquestra Sinfônica Jovem de Berlim faz concerto gratuito

A Escola de Música da UFRJ recebe, no dia 14 de junho, a Orquestra de Câmara Georg-Friedrich-Händel, formada por integrantes da Orquestra Sinfônica Jovem de Berlim (OSJB), para uma apresentação gratuita no Salão Leopoldo Miguez. Sob a regência do maestro Knut Andreas, o concerto integra a temporada brasileira da formação alemã, que reúne jovens músicos da Alemanha e do Brasil em atividades de intercâmbio artístico e pedagógico.

Esta será a terceira passagem da OSJB pelo Rio de Janeiro, após as turnês realizadas em 2016 e 2023. A programação brasileira inclui masterclasses, ensaios e concertos em Campos dos Goytacazes, São João da Barra, Petrópolis e Rio de Janeiro, promovendo o encontro entre estudantes de música dos dois países e fortalecendo os laços culturais entre Brasil e Alemanha.

O programa escolhido para a apresentação reflete esse espírito de intercâmbio. A abertura e boa parte do concerto são marcadas pelo tema da água. A Suíte nº 1 em Fá maior da Música Aquática (HWV 348), de Georg Friedrich Händel, composta para apresentações ao ar livre sobre o rio Tâmisa, dialoga diretamente com Hamburger Ebb’ und Fluth (TWV 55), de Georg Philipp Telemann, uma representação musical do fluxo e refluxo das marés do porto de Hamburgo, povoada por figuras como tritões, o deus dos ventos Éolo e alegres barqueiros. À tradição barroca alemã soma-se o lirismo vienense da valsa Aquarellen, de Josef Strauss.

Na segunda metade do concerto, a viagem musical chega ao Brasil com obras de César Guerra-Peixe, um dos principais nomes do nacionalismo musical brasileiro. O programa inclui os Quatro Maracatus de Capiba — “É de tororó”, “Navio da costa”, “Vira a moenda” e “Cadê os guerreiros” — além da peça Mourão. O encerramento fica a cargo de Chiquinha Gonzaga, pioneira da música popular brasileira, com Forrobodó, em uma celebração da vitalidade rítmica e da diversidade musical do país anfitrião.

Fundada em 1969 e sediada no Georg-Friedrich-Händel-Gymnasium, em Berlim, a Orquestra Sinfônica Jovem de Berlim dedica-se à formação de jovens músicos entre 14 e 18 anos. Ao longo de mais de cinco décadas de atividades, a instituição consolidou uma trajetória internacional marcada por intercâmbios culturais e turnês em diversos países da Europa, Ásia e África. A formação camerística que se apresenta na EM/UFRJ conquistou o primeiro prêmio de melhor orquestra no Festival Internacional Michelangelo, em Florença.

À frente da apresentação estará Knut Andreas, regente titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica de Piracicaba, da Orquestra Sinfônica de Potsdam e da própria Orquestra Sinfônica Jovem de Berlim. Com atuação internacional, o maestro já regeu importantes orquestras europeias e mantém forte vínculo com o Brasil, tendo trabalhado com diversas formações sinfônicas do país.

O concerto conta com apoio institucional do Goethe-Institut e tem realização da Artemundi Produções Culturais.

Serviço
📅 14/06 (domingo) | 11h
🏛️ Salão Leopoldo Miguez – EM/UFRJ
📍 Rua do Passeio, 98, Centro, Rio de Janeiro/RJ
🎟 Entrada franca

Ópera na UFRJ apresenta “O Empresário”, de Mozart, em temporada no Salão Leopoldo Miguez e em Teresópolis

O Projeto Ópera na UFRJ apresenta, em junho, a ópera cômica O Empresário (Der Schauspieldirektor), de Wolfgang Amadeus Mozart, em uma montagem que transporta a obra do século XVIII para o contexto do Brasil contemporâneo. A música fica a cargo da Orquestra Sinfônica da UFRJ, com apresentações no Salão Leopoldo Miguez e no Teatro da FESO, em Teresópolis.

Estreada em Viena em 1786, a obra foi encomendada pelo imperador José II para uma competição de óperas realizada no Palácio de Schönbrunn. Escrita no formato de singspiel, gênero que combina diálogos falados e trechos cantados, a trama acompanha Francisco, um empresário teatral que tenta montar um novo espetáculo enquanto enfrenta disputas de ego, rivalidades artísticas e questões financeiras envolvendo duas cantoras que disputam protagonismo. Bem-humorado e tecendo críticas ao funcionamento do mercado cultural, o espetáculo dialoga com a própria realidade profissional de Mozart, conhecido por sua habilidade em compreender e negociar as dinâmicas do mercado musical vienense.

A montagem do Projeto Ópera na UFRJ adapta o libreto para o Brasil atual, incorporando referências à cena lírica nacional e a situações características do ambiente cultural carioca. O resultado é uma leitura contemporânea de uma obra que satiriza os bastidores da produção artística e os desafios da gestão cultural, temas que permanecem atuais mais de dois séculos após sua estreia.

Com libreto original de Johann Gottlieb Stephanie, a adaptação é assinada por Caio Bichaff e Lenine Santos. As versões dos trechos cantados são de Luiz Guimarães.

O elenco reúne Marina Guisasola e Luana Nascimento como Alma Abalada; Silviane Paiva e Edilene Melo como Áurea Pierante; Carlos Côrtes como Francisco; André Cisco e Marcus Vinícius Lima como Colibri; e Marcos Paulo Cassiano como Hilário. Participam ainda como cantoras convidadas Maria Clara Justino, Christiane Westphal e Esther Santiago.

A direção geral é de Lenine Santos, com regência de André Cardoso à frente da Orquestra Sinfônica da UFRJ. A direção cênica é de José Henrique Moreira, com co-direção e direção de movimento de Marcellus Ferreira.

Serviço
📅 17/06 (quarta-feira) | 19h
📅 18/06 (quinta-feira) | 19h
📅 20/06 (sábado) | 16h
📅 21/06 (domingo) | 16h
🏛️ Salão Leopoldo Miguez – EM/UFRJ
📍 Rua do Passeio, 98 – Centro – Rio de Janeiro/RJ
🎟 Entrada franca

📅 27/06 (sábado) | 16h
🏛️ Teatro da FESO
📍 Teresópolis/RJ
🎟 Ingressos no site Sympla

Rio de Janeiro recebe a 21ª Conferência Internacional da WASBE em 2026

O Rio de Janeiro será palco, entre os dias 20 e 26 de julho de 2026, da 21ª Conferência Internacional da WASBE (World Association for Symphonic Bands and Ensembles), um dos mais importantes encontros mundiais dedicados às bandas sinfônicas e conjuntos de sopros. Pela primeira vez realizada na América Latina, a conferência reunirá músicos, regentes, pesquisadores, compositores, educadores e estudantes de diversos países em uma ampla programação artística, acadêmica e pedagógica.

A realização da edição brasileira conta com ampla parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro, através da Escola de Música da UFRJ, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, a Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a FUNARJ, a Fundação Universitária José Bonifácio e a Marinha do Brasil, através da Banda Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais. O projeto também conta com apoio da FAPERJ e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.

A realização da WASBE 2026 no Brasil representa um marco histórico para a música de bandas sinfônicas na América Latina e reforça o protagonismo da EM/UFRJ no cenário internacional da formação, produção artística e pesquisa em música.

A programação artística contará com importantes conjuntos do Brasil e do exterior, entre eles a Banda Sinfônica Nacional da Colômbia, a Banda Sinfônica do Exército Brasileiro, a Banda Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais, a Banda Sinfônica da Universidade Javeriana (Colômbia), a Mannheimer Bläserphilharmonie (Alemanha), a Oregon State University Wind Ensemble (EUA), a University of Michigan Chamber Winds (EUA), a University of New Mexico Wind Symphony (EUA), os Solistas SAMP (Portugal) e a Orquestra de Sopros da UFRJ.

Além dos concertos, a conferência promoverá workshops, palestras, encontros formativos, sessões de leitura, concursos e atividades voltadas à formação de jovens músicos. Durante a semana do evento será formada a WASBE World Youth Wind Orchestra, reunindo estudantes de diferentes partes do mundo.

Entre os destaques pedagógicos estão as palestras musicológicas conduzidas por especialistas internacionais, o VI Concurso Internacional de Composição Warren Benson e o I Concurso Internacional de Regência da WASBE, inédito na história da conferência.

Para estudantes de música, serão oferecidas oficinas entre os dias 21 e 24 de julho, conduzidas por professores da Escola de Música da UFRJ, do Instituto Villa-Lobos da UNIRIO e de universidades da América Latina, Estados Unidos e Europa.

Segundo o professor Marcelo Jardim, diretor executivo do Comitê Organizador Local, a conferência busca ampliar o intercâmbio artístico e educacional em torno das bandas sinfônicas:

“Um evento como esse é algo a ser festejado e prestigiado por todos que apreciam a arte, a cultura e a importância da educação musical nas escolas e projetos sociais. Teremos a oportunidade de receber na cidade atrações artísticas do mais alto nível musical e, ao mesmo tempo, proporcionar o contato de músicos de diversos países com os nossos jovens músicos das universidades e projetos socioculturais.”

Outro destaque da edição será o Fringe Festival “Por Todas as Bandas do Brasil”, que ocupará alguns dos espaços culturais mais emblemáticos do centro do Rio de Janeiro com apresentações gratuitas de bandas sinfônicas, bandas marciais, fanfarras e grupos convidados.

As atividades acontecerão em locais como o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a Sala Cecília Meireles, a EM/UFRJ, o Passeio Público, a Cinelândia, o Pátio do Palácio Gustavo Capanema e a Igreja da Ordem de São Francisco de Paula, aproximando o público de diferentes formações musicais e promovendo a integração entre patrimônio cultural, educação e arte.

A conferência também contará com a participação de diversas bandas brasileiras, como a Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí, a Banda Filarmônica de Santarém, a Orquestra de Sopros do Rio, a Orquestra de Sopros Aprendiz Musical, a Banda Filarmônica de São Paulo e a Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, entre outras.

A WASBE 2026 promete transformar o Rio de Janeiro em um grande encontro internacional da música, conectando culturas, promovendo aprendizado e ampliando o acesso do público a apresentações de alto nível artístico em alguns dos principais espaços culturais da cidade.

Mais informações: wasbe2026.com

PPGM-UFRJ abre inscrições para os processos seletivos de Mestrado e Doutorado 2026

O Programa de Pós-Graduação em Música da UFRJ (PPGM-UFRJ) está com inscrições abertas, de 27 de maio a 16 de junho, para os processos seletivos de ingresso nos cursos de Mestrado Acadêmico e Doutorado Acadêmico. Ao todo, serão oferecidas 24 vagas para o Mestrado e 19 vagas para o Doutorado.

Após a homologação das inscrições, prevista para o dia 17 de junho, os candidatos participarão de um processo seletivo realizado integralmente de forma remota entre os dias 22 de junho e 2 de julho. A seleção será dividida em duas etapas: uma fase assíncrona e eliminatória, seguida de uma etapa síncrona e classificatória, realizadas por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem da UFRJ (AVA-UFRJ) e por videoconferência. O resultado final será divulgado em 8 de julho.

Como parte da política de internacionalização do Programa, os editais, formulários de inscrição e orientações gerais estão disponíveis em português, inglês e espanhol. O PPGM-UFRJ também prevê a possibilidade de candidatos estrangeiros não lusófonos realizarem as provas da segunda etapa em inglês ou espanhol.

Os interessados podem acessar os editais formulários de inscrição e demais documentos através da página do PPGM-UFRJ.

Dúvidas podem ser esclarecidas junto à Secretaria Acadêmica do Programa pelo e-mail: posgraduacao@musica.ufrj.br.

Orquestra Sinfônica da UFRJ apresenta concerto com obras de Ibert e Dvořák no Salão Leopoldo Miguez

A Orquestra Sinfônica da UFRJ realiza, no dia 1º de junho, mais um concerto de sua 102ª temporada no Salão Leopoldo Miguez da Escola de Música da UFRJ. Sob regência de Thiago Santos, a apresentação terá no programa o Concerto para flauta, de Jacques Ibert, e a Sinfonia nº 9 “Do Novo Mundo”, de Antonín Dvořák.

A abertura da noite será com o Concerto para flauta, escrito em 1933 pelo compositor neoclássico Jacques Ibert. Dedicada ao flautista francês Marcel Moyse, que a estreou como solista da Sociedade de Concertos do Conservatório de Paris, a obra conta com um Allegro inicial que explora a virtuosidade do instrumento. No Andante a seguir, de caráter lírico, a flauta é acompanhada pelas cordas. Já o terceiro movimento possui passagens de sabor jazzístico. O solista convidado será o flautista Nathan Ventura, aluno da UFRJ e integrante da Banda Sinfônica da Marinha do Brasil.

Na segunda parte do concerto, a orquestra interpreta a célebre Sinfonia nº 9 “Do Novo Mundo”, composta por Dvořák durante sua estadia nos Estados Unidos, entre 1892 e 1893, quando atuava como diretor do Conservatório de Música de Nova York. A obra incorpora elementos inspirados na música local, tornando-se uma das composições mais conhecidas do repertório sinfônico. Sua estreia foi feita pela Filarmônica de Nova York no Carnegie Hall em 1893.

Todos os temas da obra são originais e ressaltam as características da música nativa e afro-americana, incluindo escalas pentatônicas e ritmos de dança, com destaque para o segundo movimento, cujo tema se popularizou rapidamente nos Estados Unidos a ponto de ganhar letra e se tornar o spiritual “Going Home”. O terceiro movimento, de acordo com o próprio compositor, representa uma dança indígena descrita no poema épico “The Song of Hiawatha” (1855), de Henry Wadsworth Longfellow, que apresenta personagens nativos americanos. O último movimento, uma vigorosa sonata, não só faz ouvir novos temas como rememora temas dos movimentos anteriores.

O concerto contará com a participação do maestro Thiago Santos, apontado como um dos jovens regentes brasileiros de destaque da atualidade. Formado pela UFRJ, Santos atuou como maestro assistente da BBC Philharmonic e da Royal Liverpool Philharmonic, além de dirigir importantes orquestras brasileiras e internacionais.

Nathan Ventura iniciou seus estudos de flauta na Escola de Música Villa-Lobos e atualmente conclui o Bacharelado em Flauta na UFRJ. Ao longo de sua trajetória, participou de diversos festivais e master classes e atuou em grupos como a Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem, a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro e a própria Orquestra Sinfônica da UFRJ.

O concerto terá transmissão via YouTube.

Serviço
📅 01/06 (segunda-feira) | 19h
🏛️ Salão Leopoldo Miguez – EM/UFRJ
📍 Rua do Passeio, 98 – Centro – Rio de Janeiro/RJ
🎟️ Entrada franca

Projeto Master Classes recebe violinista alemão Linus Roth na EM/UFRJ

O Projeto Master Classes da Escola de Música da UFRJ promove, no dia 28 de maio, uma edição especial com a participação do violinista alemão Linus Roth. A atividade será realizada no Salão Leopoldo Miguez e é aberta a alunos da Escola e membros da comunidade.

O projeto recebe regularmente convidados nacionais e internacionais para palestras, workshops, oficinas e master classes, com o objetivo de estimular o compartilhamento de saberes, a pesquisa e o desenvolvimento técnico, musical e artístico dos participantes.

Nesta edição, quatro alunos ativos serão selecionados para participar diretamente da master class. Os demais inscritos poderão acompanhar a atividade como ouvintes. Os participantes ativos deverão levar a partitura da obra que irão executar e, se possível, a parte de acompanhamento.

Reconhecido internacionalmente por sua atuação como solista e pedagogo, Linus Roth estudou em instituições como a Juilliard School e a Musikhochschule Lübeck, tendo sido orientado por nomes como Salvatore Accardo e Ana Chumachenco. Ao longo de sua carreira, apresentou-se com importantes orquestras e consolidou-se também como pesquisador e divulgador da obra do compositor Mieczysław Weinberg.

Roth foi o primeiro violinista a gravar a integral das obras para violino solo e piano de Weinberg e recebeu o prêmio ECHO Klassik na categoria “Melhor Novo Talento”. Atualmente, é professor de violino no Centro Leopold Mozart da Universidade de Augsburg e atua como diretor artístico de festivais europeus. Em suas apresentações, utiliza o violino Stradivarius “Dancla”, de 1703.

As inscrições podem ser feitas através deste link.

Serviço
📅 28/05 (quinta-feira) | 10h às 12h30
🏛️ EM/UFRJ – Salão Leopoldo Miguez
📍 Rua do Passeio, 98 – Centro, Rio de Janeiro/RJ
🎟️ Entrada franca