Em 04 de março, às 19h, a Orquestra Sinfônica da UFRJ realiza, no Salão Leopoldo Miguéz, um concerto que integra sua 102ª temporada e marca o recital de formatura em Regência Orquestral de Aderbal Soares. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade do Rio de Janeiro, a Orquestra apresenta um programa que transita entre diferentes épocas e estéticas, reunindo obras de Jean Sibelius, Krzysztof Penderecki, Wolfgang Amadeus Mozart e Alexandre Schubert.
A abertura será com Andante Festivo (1938), de Jean Sibelius (1865–1957), em sua versão para orquestra de cordas. Originalmente composta em 1922 para quarteto de cordas, a peça foi ampliada em 1938, com tímpanos opcionais que participam apenas nos compassos finais. A obra estreou em 1º de janeiro de 1939, em transmissão ao vivo para a Exposição Mundial de Nova York, sob regência do próprio compositor à frente da Orquestra Sinfônica da Rádio Finlandesa. A gravação dessa ocasião constitui o único registro de Sibelius interpretando uma obra sua.
Na sequência, a Orquestra interpreta as Três peças em estilo antigo (1963), de Krzysztof Penderecki (1933–2020). Os dois minuetos que compõem a obra foram escritos originalmente como trilha para o filme O Manuscrito de Saragossa (1964), dirigido por Wojciech Has, baseado no romance “Manuscrito encontrado em Saragoça”, de Jan Potocki. Posteriormente, Penderecki compôs a ária para formar a suíte em três movimentos. A obra representa uma estilização da linguagem tonal e de formas musicais dos períodos barroco e rococó, contrastando com a produção de vanguarda do compositor na década de 1960.
O programa inclui ainda a ária Ruhe sanft, da ópera inacabada Zaide (K.344), escrita por Mozart entre 1779 e 1780. Concebida para uma companhia de ópera em língua alemã estabelecida pelo imperador José II, a obra foi abandonada pelo compositor e permaneceu incompleta, sem abertura e sem música para o final. Publicada em 1838 com o título Zaide, a partir do manuscrito vendido pela viúva do compositor, Constanze Mozart, ao editor Johann Anton André, a ópera preserva, entretanto, trechos de grande beleza. Ruhe sanft é cantada pela personagem Zaide, que declara seu amor ao escravo Gomatz enquanto ele dorme. A soprano Luana Nascimento será a solista nesta apresentação.
Encerrando o concerto, a Orquestra apresenta Brasiliana nº 4 (2020), de Alexandre Schubert, professor da Escola de Música da UFRJ. A obra explora características musicais da região Sudeste do Brasil em quatro movimentos: o Maxixe (allegro) remete à dança sincopada que se difundiu no Rio de Janeiro no início do século XX; Cantiga (calmo) apresenta andamento lento e caráter introspectivo; Toada dos navegantes (allegro) homenageia pescadores caiçaras; e Bossa (allegro) finaliza a obra com caráter alegre e descontraído, marcado pelo uso da síncope.
Luana Nascimento é bacharelanda em Canto pela UFRJ. Iniciou sua trajetória artística aos nove anos, no Coral Infantil da UFRJ, com o qual participou de apresentações como o evento comemorativo do Bicentenário da República da Argentina, em Buenos Aires, além de montagens no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Atuou na ópera O Boi e o Burro no caminho de Belém, de Tim Rescala, integrou o Coro Sinfônico do Theatro Municipal na ópera Dido e Enéas, de Henry Purcell, e atualmente participa do Coral Brasil Ensemble-UFRJ.
A regência é de Aderbal Soares, cantor formado pela UFRJ, com atuação em óperas, oratórios e festivais no Brasil e no exterior. Desenvolve atividades como compositor, arranjador, pianista, regente coral e orquestral, preparador vocal e professor de disciplinas teóricas e práticas em Música.
Recital de formatura em Regência Orquestral – Orquestra Sinfônica da UFRJ
📅 04/03 (quarta-feira) | 19h
📍 Salão Leopoldo Miguéz – EM/UFRJ
🏛 Rua do Passeio, 98 – Centro, Rio de Janeiro
🎟 Entrada franca