Semana de Aniversário 2025: EM/UFRJ celebra 177 anos com a série “Caminhos Modernos II”

Fundada em 1848, a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro consolidou-se, ao longo de quase dois séculos, como referência nacional e internacional no ensino, na pesquisa e na produção artística. Sua trajetória acompanha e influencia a história da música no Brasil, preservando tradições e, ao mesmo tempo, abrindo espaço para novas linguagens e formas de expressão. É nesse espírito que, em 2025, a Escola celebra seus 177 anos com a segunda edição da série Caminhos Modernos, reafirmando seu compromisso com a reflexão crítica, a inovação estética e a formação artística de excelência.

Entre os dias 11 e 15 de agosto de 2025, a Escola realiza sua tradicional Semana de Aniversário, com concertos diários às 19h no Salão Leopoldo Miguez, sempre com entrada franca.

A primeira edição de Caminhos Modernos, realizada em 2011, dedicou-se à criação musical posterior a 1950, contemplando a vanguarda do pós-guerra e as diversas correntes estéticas que marcaram a segunda metade do século XX. Inspirada no contexto histórico do polêmico artigo “Morreu Schoenberg”, de Pierre Boulez, a série buscou proporcionar ao público a experiência de ouvir, cotejar e refletir sobre obras esteticamente diversas, sem se restringir a debates teóricos.

Em Caminhos Modernos II, a proposta se expande com um distanciamento histórico de setenta e cinco anos em relação ao recorte original e incorpora as transformações ocorridas no mundo nas últimas décadas. A programação presta homenagem a dois compositores centenários — Pierre Boulez (1925-2016) e Luciano Berio (1925-2003) —, resgata nomes ausentes na primeira edição e celebra os 90 anos de Arvo Pärt e Terry Riley, além dos 80 anos de John Rutter e da compositora brasileira Vânia Dantas Leite (1945-2018).

O evento reunirá grupos artísticos da própria Escola — Orquestra Sinfônica da UFRJ, Coral Brasil Ensemble, Grupo de Percussão da UFRJ, Grupo ContempoMúsica — além do Laboratório de Música e Tecnologia (LaMuT) para apresentar obras que transitam do neoclassicismo ao minimalismo, da música tonal às experimentações eletroacústicas, explorando interseções entre tradição e inovação. Entre os compositores representados, figuram Sofia Gubaidulina, Astor Piazzolla, Olivier Messiaen, Karlheinz Stockhausen, György Ligeti, Henryk Górecki, entre outros.

Mais do que uma celebração institucional, a Semana de Aniversário da EM/UFRJ reafirma o papel da Escola como espaço de produção artística, pesquisa, preservação e difusão do repertório musical contemporâneo. A iniciativa mantém viva a vocação da instituição para a formação de intérpretes, compositores e pesquisadores, promovendo o diálogo entre o legado histórico e as novas possibilidades criativas do nosso tempo.

Confira a seguir, a programação:

11 de agosto (segunda-feira)
O primeiro dia do evento marca também a abertura da exposição “Orquestra Sinfônica da UFRJ, 100 anos: Uma Trajetória de Música e Educação”. A mostra apresenta um panorama histórico da OSUFRJ, o mais antigo conjunto sinfônico em atividade no Rio de Janeiro, cuja trajetória se entrelaça com a história da música no Brasil e da própria Escola de Música.

O público poderá conhecer imagens raras, painéis informativos e trechos do livro Orquestra Sinfônica da UFRJ – 100 anos, de autoria do maestro André Cardoso. QR Codes distribuídos pelo percurso permitirão ouvir obras de compositores ligados à Escola de Música. A exposição conta ainda com um espaço instagramável e totens que homenageiam personalidades marcantes na história da instituição.

A abertura, às 18h30, será seguida por um concerto do grupo de cordas da OSUFRJ, que apresenta um programa que atravessa linguagens e épocas, do neoclassicismo às texturas tintinnabuli de Arvo Pärt, passando pela releitura de tradições históricas de Henryk Górecki e pela atmosfera poética de Voyage, de John Corigliano, com o solista Eduardo Monteiro (professor de flauta da EM/UFRJ). O programa ainda conta com o Concerto para clarone da irlandesa Geraldine Green, com Thiago Tavares (clarone) como solista, e Pelimannit, de Einojuhani Rautavaara, que homenageia o folclore e os músicos populares finlandeses.

12 de agosto (terça-feira)
O segundo dia da programação traz um mergulho nas múltiplas vertentes da criação musical pós-1950, explorando desde a expressividade tonal até a pesquisa rítmica e a religiosidade na música de concerto. O concerto abre com a dramaticidade da Chaconne para piano, de Sofia Gubaidulina, interpretada por Thalyson Rodrigues. Na sequência, o pianista se une a Luciano Magalhães em Inverno Porteño, de Astor Piazzolla, obra marcada por ritmos e cores portenhas. O percussionista Tiago Calderano apresenta a vigorosa Psappha, de Iannis Xenakis, e o organista Benedito Rosa interpreta Offrande et Alleluia do Livre du Saint Sacrément, de Olivier Messiaen, de caráter contemplativo.

A segunda parte da noite é dedicada à música coral, com o Coral Brasil Ensemble sob regência de Maria José Chevitarese, interpretando o jubiloso Jubilate Deo, de Benjamin Britten, e o moteto O clap your hands, de John Rutter. O encerramento apresenta os Chichester Psalms, de Leonard Bernstein, na versão para coro, órgão, harpa e percussão, com Mariana Honorato El-Hader (soprano), Eduardo Biato (órgão), Giovana Sanches (harpa) e Pedro Moita (percussão). A combinação de linguagens, tradições e formações instrumentais faz desta noite um encontro marcante entre espiritualidade, teatralidade e inovação musical.

13 de agosto (quarta-feira)
A terceira noite apresenta um percurso pela música de câmara da segunda metade do século XX, onde tradição, nacionalismo e vanguarda se entrelaçam. A abertura traz Ritmata, de Edino Krieger, interpretada por Fábio Adour (violão), seguida da Sonatina para fagote e piano, de José Siqueira, com Aloysio Fagerlande (fagote) e Ana Paula da Matta (piano). A pianista retorna para executar Tema e variações para piano, de Marlos Nobre, antes da entrada do Grupo de Percussão da UFRJ — sob direção de Pedro Sá e com Wesley Lucas (marimba solo), Pedro Henrique, João Vítor Godoy e Matheus Barros — na intensa Marimba Spiritual, de Minoru Miki.

A noite prossegue com peças para clarineta solo, a Fantasia op. 87, de Malcolm Arnold, e o Prelude, de Krzysztof Penderecki, interpretadas por Carlos Leandro Nascimento da Silva (clarineta). O programa se aproxima do desfecho com Treffpunkt, de Karlheinz Stockhausen, e encerra-se com o marco minimalista In C, de Terry Riley, apresentado pelo Grupo ContempoMúsica sob regência de Alexandre Schubert.

14 de agosto (quinta-feira)
No quarto dia do evento, a Orquestra Sinfônica da UFRJ retorna ao palco destacando a versatilidade da música de câmara, com obras que transitam entre lirismo, pesquisa tímbrica e citações históricas. O concerto inicia com o Trio para flauta, violino e piano, de Nino Rota, interpretado respectivamente por Eduardo Monteiro, Fernando Pereira e Flávio Augusto. Em seguida, o clarinete assume o protagonismo com a Fantasia Sulamérica, de Cláudio Santoro, com Márcio Costa (clarineta), e a Sonata para clarineta solo, de Edison Denisov, com Gabriel Peter (clarineta).

O programa inclui ainda Steep Steps, de Elliott Carter, interpretada por Thiago Tavares (clarone), e Alma Redemptoris Mater, de Peter Maxwell Davies, com Helder Teixeira (flauta), Juliana Bravim (oboé), Márcio Costa e Gabriel Peter (clarinetas), Gilieder Veríssimo (trompa) e Paulo Andrade (fagote). As Rheinische Kirmertänze, de Bernd Alois Zimmermann, e a suíte da ópera The Good Soldier Schweik, de Robert Kurka, encerram a noite com o conjunto de sopros e percussão da Orquestra Sinfônica da UFRJ, sob regência de Marcelo Jardim.

15 de agosto (sexta-feira)
O concerto de encerramento reúne nomes históricos da música eletroacústica internacional em comemoração aos 30 anos do Laboratório de Música e Tecnologia (LaMuT), que reafirma sua vocação para a pesquisa e a experimentação sonora.

A primeira obra, Piano Memory (1982), de Vânia Dantas Leite, explora a improvisação. A parte eletrônica da obra foi composta com base em desenhos-partitura do artista plástico Paulo Garcez. A partir da gravação desta improvisação, a compositora propõe uma obra mista onde um pianista deve improvisar junto aos sons pré-gravados seguindo a mesma partitura-desenho. A interpretação é de Maria José Di Cavalcanti (piano) e Rodrigo Cicchelli Velloso (difusão)

Na sequência, um dos pioneiros da música eletroacústica no Brasil, Reginaldo Carvalho dialoga com a poesia concreta em sua obra Caleidoscópio IV (1968), uma trilha sonora para um curta-metragem em três movimentos. Semáforos, foi pensado para a abertura do filme, onde a música sincronizava com diversos sinais luminosos em uma estrada de ferro. O segundo movimento, Cleta, usa um poema de Ivan Setta, onde a própria voz do poeta é editada de forma a explorar o ritmo das palavras bicicleta, cleta e concreta. Por último, Pontuações Luminosas tem um caráter pontilhístico inspirado no ritmo de confetes sobrevoando as ruas em época de carnaval. A difusão é de Cláudio Bezz.

Em Sirens (1958), a mezzo-soprano Cathy Berberian faz uma leitura interpretativa de um trecho do capítulo onze (Sereias) da obra Ulisses, de James Joyce. Esta mesma gravação foi utilizada como matéria-prima para Thema (Omaggio a Joyce) (1961), de Luciano Berio. O compositor joga com as implicações rítmicas e semânticas do material, colocando em primeiro plano as características musicais da língua falada. A difusão é de Orlando Scarpa Netto.

Artikulation (1958), de György Ligeti, busca criar uma linguagem artificial a partir de sons eletrônicos que recriam as articulações de perguntas e respostas, entonações graves e agudas, interrupções, mudanças de humor, explosões e sussurros.

Deux Études (1952), a primeira obra eletroacústica do compositor Pierre Boulez, explora a técnica de organização serial em sons gravados. Os timbres, durações e intensidades dos sons são organizados de forma serial, criando uma ponte interessante entre a música eletrônica alemã e a música concreta francesa.

Symphonie Magnétophonique (1958) apresenta uma sinfonia de sons cotidianos capturados em fita magnética. Else Marie Pade buscou representar a paisagem sonora de um dia completo na cidade de Copenhague, Dinamarca, com sons matinais de ronco, chaleira e despertadores seguidos por sons de um dia de trabalho e, por fim, noturnos.

Semana de Aniversário da Escola de Música da UFRJ 2025
📅 11 a 15 de agosto | 19h
🏛 Salão Leopoldo Miguez – Escola de Música da UFRJ
📍 Rua do Passeio, 98 – Centro, Rio de Janeiro/RJ
🎟 Entrada franca

Orquestra Sinfônica da UFRJ se apresenta na Semana de Aniversário da EM/UFRJ

Em 14 de agosto, a Orquestra Sinfônica da UFRJ se apresenta no Salão Leopoldo Miguez, reunindo obras de compositores que exploraram novas possibilidades expressivas na música de concerto do século XX. Com regência do maestro Marcelo Jardim, o programa destaca formações camerísticas e solos instrumentais, revelando a riqueza tímbrica do repertório.

A abertura do concerto será com o Trio para flauta, violino e piano de Nino Rota — conhecido por suas trilhas para os filmes de Fellini — em interpretação de Eduardo Monteiro (flauta), Fernando Pereira (violino) e Flávio Augusto (piano). A peça equilibra lirismo e clareza formal, marca registrada do compositor italiano.

O clarinete ganha protagonismo nas peças seguintes. Fantasia Sulamérica, de Cláudio Santoro, será interpretada por Márcio Costa, enquanto a Sonata para clarineta solo, de Edison Denisov, terá execução de Gabriel Peter. Ambas exploram os recursos expressivos e tímbricos do instrumento. Em seguida, Thiago Tavares apresenta Steep Steps, de Elliott Carter, composta para clarone solo, em um exercício de densidade harmônica e articulação rítmica refinada.

O repertório segue com obras para conjuntos de sopros. A Alma Redemptoris Mater, do britânico Peter Maxwell Davies, é uma paráfrase de um moteto renascentista de John Dunstable, com atmosfera contemplativa e texturas modernas. A peça será interpretada por Helder Teixeira (flauta), Juliana Bravim (oboé), Márcio Costa e Gabriel Peter (clarinetas), Tiago Carneiro (trompa) e Paulo Andrade (fagote).

A programação se encerra com duas obras em que os sopros dialogam com a percussão. A primeira é Rheinische Kirmestänze, de Bernd Alois Zimmermann, inspirada em danças renanas. A segunda, a suíte da ópera The Good Soldier Schweik, do americano Robert Kurka, combina ironia e drama em uma linguagem próxima à de Kurt Weill, com uma variedade que se estende do popular até o macabro.


Concerto da Orquestra Sinfônica da UFRJ
📅 14 de agosto (quinta-feira) | 19h
🏛 Salão Leopoldo Miguez – Escola de Música da UFRJ
📍 Rua do Passeio, 98 – Centro, Rio de Janeiro/RJ
🎟 Entrada franca

Cordas da Orquestra Sinfônica da UFRJ realiza concerto na abertura da exposição dedicada ao centenário do grupo

A abertura da exposição Orquestra Sinfônica da UFRJ, 100 anos: Uma Trajetória de Música e Educação contará com concerto das cordas da Orquestra Sinfônica da UFRJ, sob regência do maestro André Cardoso. O programa reúne obras de compositores ativos entre o século XX e XXI, passando pelo neoclassicismo, pela música modal e pelo estilo tintinnabuli.

O concerto se inicia com Fratres (1977/1991), de Arvo Pärt, escrita logo após o período em que o compositor desenvolveu sua técnica tintinnabuli, caracterizada por harmonia modal e textura nota contra nota inspirada em estudos da música gótica e renascentista franco-flamenga.

Na sequência, o flautista Eduardo Monteiro interpreta Voyage (1983), de John Corigliano, versão para flauta e cordas da obra coral composta em 1971 sobre a tradução inglesa do poema L’invitation au voyage, de Charles Baudelaire. A música transita entre tonalidade e atonalidade, refletindo a atmosfera sensorial do texto.

As Três peças em estilo antigo (1963), de Henryk Górecki, marcam a mudança do compositor polonês de uma escrita vanguardista para um idioma modal, com sonoridades arcaicas inspiradas na música medieval, renascentista e no folclore de seu país.

O clarone assume o protagonismo no Concerto para clarone (1992), da compositora irlandesa Geraldine Green, com o solista Thiago Tavares. A obra, de caráter neoclássico, é descrita pela autora como “geralmente jovial, com melodias deliciosas e um caráter brincalhão e travesso”, alternando com um movimento central mais austero.

Encerrando o programa, Pelimannit (1972), do finlandês Einojuhani Rautavaara, reúne cinco movimentos baseados em melodias de Samuel Rinda-Nikkola, músico popular do início do século XIX, combinando elementos folclóricos a fragmentos de Bach, harmonias modais, cromatismo e clusters dissonantes.

Concerto da Orquestra Sinfônica da UFRJ
📅 11 de agosto de 2025 (segunda-feira) | 19h
🏛️ Escola de Música da UFRJ
📍 Rua do Passeio, 98 – Centro, Rio de Janeiro/RJ
🎟 Entrada franca

Transmissão via YouTube:

Biblioteca Alberto Nepomuceno promove treinamento de recursos informacionais de pesquisa da UFRJ

A Biblioteca Alberto Nepomuceno convida toda a Comunidade Acadêmica da Escola de Música da UFRJ para participar do Treinamento dos Recursos Informacionais de Pesquisa da UFRJ, que será realizado no dia 26 de agosto de 2025, das 10h às 12h, na Sala 2116 do Edifício Ventura – Torre Leste.

A atividade será conduzida por Amanda Moura, Diretora do Centro Referencial do SiBI/UFRJ, e abordará as principais ferramentas e bases de dados disponíveis para pesquisadores, docentes e estudantes da Universidade. Entre os temas contemplados estão:

  • Base Minerva
  • Pantheon
  • Acesso Remoto (CAFe)
  • Portal de Periódicos da Capes
  • Outros recursos de informação da UFRJ

O treinamento é uma oportunidade para conhecer melhor as plataformas de busca e acesso a conteúdos acadêmicos, otimizando pesquisas e trabalhos acadêmicos.

Haverá certificado de participação.

As inscrições podem ser realizadas até 22 de agosto através do endereço a seguir: https://bit.ly/4m6Kxfs

Treinamento dos Recursos Informacionais de Pesquisa da UFRJ
📅 26 de agosto (terça-feira) | 10h às 12h
🏛 Escola de Música da UFRJ – Edifício Ventura
📍Avenida República do Chile, 330, Torre Leste – Sala 2116

Divulgado resultado final do processo seletivo de Transposição e Acompanhamento ao Piano

Em 30/07, o Departamento de Música de Conjunto (07) da Escola de Música da UFRJ publicou o resultado final do Processo Seletivo Público para Professor Substituto de Transposição e Acompanhamento ao Piano na Escola de Música da UFRJ. Este e outros documentos podem ser conferidos nos links abaixo:

  1. Resultado final
  2. Normas complementares com cronograma alterado
  3. Homologação de candidaturas
  4. Apreciação de recurso
  5. Ata da prova de análise de currículo
  6. Resultado da prova de análise de currículo

Nota de pesar pelo falecimento do professor Bartholomeu Wiese Filho

A Direção da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro manifesta profundo pesar pelo falecimento do professor Bartholomeu Wiese Filho.

Professor Associado II do Departamento de Instrumentos de Cordas, Bartholomeu era doutor em Práticas Interpretativas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e mestre em Música pela própria UFRJ. Desenvolvia atividades de ensino na graduação e pós-graduação, além de coordenar os projetos de extensão Violões da UFRJ e Cordas Dedilhadas, vinculados ao Programa de Pós-graduação Profissional em Música.

Reconhecido violonista, atuou como integrante do grupo regional Galo Preto e da Orquestra de Cordas Brasileiras, tendo realizado diversos concertos e master classes na América Latina e Europa. Sua pesquisa recente focava na aplicabilidade das técnicas expandidas do violão nas práticas interpretativas.

Sua trajetória deixa uma marca profunda na vida acadêmica, artística e humana da Escola de Música da UFRJ. Neste momento de luto, nos solidarizamos com seus familiares, amigos, colegas e estudantes, prestando homenagem à sua memória e à contribuição inestimável que deixa para a música brasileira e para o ensino superior em música.

O velório será realizado nesta quinta-feira, 31 de julho, das 10h30 às 13h, na Capela Quatro do Crematório da Penitência, localizado na Rua Monsenhor Manuel Gomes, número 307, no bairro do Caju.

Rio de Janeiro,
29 de julho de 2025

III MaMusE celebra 30 anos do LaMuT com uma semana dedicada à música eletroacústica

A Escola de Música da UFRJ realiza, entre os dias 28 de julho e 1º de agosto, a terceira edição da MaMusE – Maratona de Música Eletroacústica, evento que celebra os 30 anos do LaMuT – Laboratório de Música e Tecnologia. Com atividades diárias das 10h às 18h, no Salão Leopoldo Miguez, a MaMusE propõe uma semana de imersão total na criação sonora contemporânea, reunindo artistas, pesquisadores, estudantes e docentes em torno da experimentação musical.

A programação inclui ensaios abertos, concertos, audições, palestras e debates. Um dos destaques é o concerto do dia 29 de julho, com Pedro Bittencourt (saxofone) e Andrea Adour (voz), dedicado a obras mistas que exploram a combinação entre instrumentos acústicos e eletrônicos. No dia 30, a curadoria do professor Marcelo Carneiro reúne peças de autores ligados ao LaMuT, como Daniel Quaranta, Alexandre Fenerich e o próprio Carneiro. O dia 31 será voltado à produção discente, com obras criadas por estudantes da Escola de Música ao longo da própria maratona. No encerramento, em 1º de agosto, será realizada a difusão da obra De Natura Sonorum (1975), do compositor francês Bernard Parmegiani, referência mundial na música acusmática. A maratona conta com a coordenação dos professores Rodrigo Cicchelli e Orlando Scarpa Neto, que recentemente participaram de um episódio do podcast Som do Passeio.

Para Scarpa Neto, a música eletroacústica pode ser compreendida como uma sensibilidade de escuta: “É uma música eletrônica, mas feita por pessoas que têm um ouvido mais experimental com relação aos sons. Sons que às vezes ignoramos no dia a dia – como uma porta rangendo ou uma bolinha de pingue-pongue batendo numa mesa – se tornam matéria-prima para a criação artística.”

Além da dimensão artística, a maratona possui um forte caráter pedagógico. “Os participantes vão montar o palco, carregar caixas, passar cabos, configurar sistemas de difusão sonora e acompanhar todas as etapas da preparação de um concerto eletroacústico”, explica o professor. Ele também destaca a importância do evento como espaço de encontro: “Hoje, com os home studios, é fácil fazer tudo sozinho. Mas é fundamental ter um momento para ouvir as peças dos colegas, trocar ideias e estar em contato.”

Segundo Scarpa Neto, a nova geração de estudantes se aproxima da música eletroacústica com naturalidade: “São pessoas que cresceram num mundo onde o computador e os aplicativos de áudio fazem parte do cotidiano. Há uma liberdade estética muito interessante: não há fronteiras rígidas entre trilha sonora, música eletrônica de pista ou música de concerto – está tudo misturado de forma criativa.”

LaMuT: 30 anos de vanguarda

A MaMusE também marca os 30 anos do LaMuT, um dos principais laboratórios de música e tecnologia do país. Desde sua criação, em 1995, o LaMuT tem sido um polo de formação artística e acadêmica na área. “Temos formado pesquisadores, artistas e docentes que hoje atuam em instituições de todo o Brasil”, afirma o professor Rodrigo Cicchelli, coordenador do laboratório. “Nesta edição, inclusive, um dos concertos será coordenado por docentes do Instituto Villa-Lobos da UNIRIO, egressos da Escola de Música da UFRJ.”

Ouça a entrevista completa com os professores Rodrigo Cicchelli e Orlando Scarpa Neto:

Programação

A programação da III MaMusE se estrutura em torno de quatro dias temáticos, culminando em um encerramento especial:

  • 29/07 – Saxofone, Voz e Eletrônica: com Pedro Bittencourt e Andrea Adour, o programa explora obras mistas que integram voz, instrumentos e eletrônica.
  • 30/07 – Curadoria do Prof. Dr. Marcelo Carneiro: foco em obras do próprio professor e de colegas e ex-alunos do LaMuT, refletindo a diversidade da produção acadêmica.
  • 31/07 – Produção Discente: espaço dedicado exclusivamente às criações de estudantes da Escola de Música.
  • 01/08 – Encerramento com Parmegiani: difusão da icônica obra De Natura Sonorum (1975), do francês Bernard Parmegiani, marco da música acusmática.

III Maratona de Música Eletroacústica (MaMusE)
📅 28 de julho a 1º de agosto de 2025 (segunda a sexta) | 10h às 18h
🏛️ Salão Leopoldo Miguez – EM/UFRJ
📍 Rua do Passeio, 98 – Centro, Rio de Janeiro/RJ
🎟 Entrada franca

Orquestra Sinfônica da UFRJ apresenta obras de Mozart, Price, Pedrollo e Guerra-Peixe no encerramento do II Orquestras em Pauta

A Orquestra Sinfônica da UFRJ realiza mais uma apresentação de sua 101ª temporada no próximo domingo, dia 27 de julho, às 17h, no auditório da Fundação Getulio Vargas. O concerto, que marca o encerramento do II Orquestras em Pauta, será conduzido pelo maestro Felipe Prazeres e traz um programa que transita por diferentes períodos e linguagens musicais.

A abertura do programa é dedicada à obra La Betulia Liberata K118, composta por W. A. Mozart em 1771, aos 15 anos. Escrita para o oratório encomendado por Don Giuseppe Ximenes, príncipe de Aragão, a peça se destaca por sua dramaticidade e forte expressividade, características associadas ao movimento Sturm und Drang, prenúncio do romantismo musical. Estruturada em forma tripartite, a abertura inclui um Andante central e um Presto com reminiscências do tema inicial.

Na sequência, a orquestra interpreta o Andante moderato para cordas, de Florence Price, compositora norte-americana cuja obra escrita em 1929 foi originalmente o segundo movimento de seu primeiro quarteto de cordas, composto durante seus estudos no Chicago Musical College. A peça apresenta vínculos com a tradição europeia, ao mesmo tempo em que revela os primeiros traços da busca por um idioma musical americano, que se intensificaria em suas obras posteriores.

A solista Juliana Bravim (oboé), integrante da Orquestra Sinfônica da UFRJ, será o destaque na execução do Concertino para oboé do compositor italiano Arrigo Pedrollo, escrito em 1960. A obra, dividida em três movimentos — Moderato, Canzone medioevale: Adagio e Allegro vivo — apresenta uma escrita direta e lírica, alternando temas contrastantes e exigindo domínio técnico do intérprete, especialmente no virtuosismo final.

Encerrando o concerto, será apresentada a vibrante obra Mourão, escrita em parceria por César Guerra-Peixe e Clóvis Pereira, recentemente falecido. Representativo do Movimento Armorial, idealizado por Ariano Suassuna, Mourão busca integrar elementos da música de concerto à riqueza rítmica e melódica da cultura popular nordestina, tornando-se uma das peças mais emblemáticas do repertório brasileiro para cordas.


Concerto da Orquestra Sinfônica da UFRJ
📅 27 de julho (domingo) | 17h
🏛️ Auditório da Fundação Getulio Vargas
📍 Praia de Botafogo, 190 – Botafogo, Rio de Janeiro/RJ
🎟 Entrada franca

Orquestra Sinfônica da UFRJ interpreta obras de Mozart, Pedrollo e Beethoven

A Orquestra Sinfônica da UFRJ (OSUFRJ) sobe ao palco do Salão Leopoldo Miguéz na próxima sexta-feira, 25 de julho, às 19h, para mais um concerto da temporada 2025. A apresentação tem entrada gratuita, classificação livre e conta com a regência do maestro Felipe Prazeres.

O programa destaca obras de três importantes compositores europeus, em uma seleção que atravessa estilos e períodos da música ocidental. A abertura de La Betulia Liberata, composta por Wolfgang Amadeus Mozart aos 15 anos, abre a noite com sua intensidade dramática e elementos que antecipam o romantismo. Em seguida, a orquestra interpreta o Concertino para oboé, do italiano Arrigo Pedrollo, com solo da oboísta Juliana Bravim, integrante da OSUFRJ. Encerrando o programa, a Sinfonia nº 2 de Ludwig van Beethoven revela os primeiros sinais da fase heróica do compositor, marcada por vigor rítmico e contrastes expressivos.

A direção artística da OSUFRJ é de André Cardoso, com Roberto Duarte e Ernani Aguiar como maestros eméritos. A apresentação integra a programação pública da Universidade Federal do Rio de Janeiro, promovendo o acesso à cultura e reafirmando a missão formadora da instituição.


Concerto da Orquestra Sinfônica da UFRJ
📅 25 de julho (sexta-feira) | 19h
🏛️ Salão Leopoldo Miguéz – EM/UFRJ
📍 Rua do Passeio, 98 – Centro, Rio de Janeiro/RJ
🎟 Entrada franca

Humberto Antero da Silva (1936-2025) – presença viva nos palcos cariocas

O Projeto Ópera na UFRJ vem prestar sua homenagem a um dos mais importantes cenotécnicos do Brasil, sendo um dos últimos de sua geração que trabalhou com as grandes estrelas da época áurea do teatro carioca: HUMBERTO ANTERO DA SILVA (1936-2025).


Humberto iniciou sua carreira na antiga TV Rio, seguindo depois para a criação nos palcos de teatro, tendo produzido, segundo sua amiga, a professora e cenógrafa Andréa Renk, cerca de 3.000 cenários durante 63 anos de carreira.


O artista foi parceiro do ÓPERA NA UFRJ por várias décadas e ajudou, com sua expertise e competência, a formar muitos alunos durante as produções acadêmicas, para as quais reservava a mesma seriedade que dedicava aos seus trabalhos profissionais no meio teatral carioca.


Este exímio profissional teve a felicidade de poder passar seus
ensinamentos, seu métier e sua experiência ao seu filho Humberto de Oliveira Silva, também colaborador do nosso projeto, numa partilha artística que une as gerações e permite que ele continue vivo entre nós com seu talento e sua arte.


Nosso muito obrigado e eternas saudades a este artista que cumpriu sua missão com enorme brilho e generosidade!

Prof. Dr. Lenine Santos
PROJETO ÓPERA NA UFRJ – Coordenador
17.07.2025