Em 12 de março, às 19h, a Orquestra Sinfônica da UFRJ realiza, no Salão Leopoldo Miguéz da EM/UFRJ, mais um recital de formatura em Regência Orquestral. A apresentação integra a 102ª temporada da orquestra, reconhecida em 2025 como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade do Rio de Janeiro. A direção musical é de Gabriel Galdino.
O programa reúne obras de Wolfgang Amadeus Mozart, Felix Mendelssohn, Clarice Assad e Ernani Aguiar, contemplando repertório que percorre diferentes períodos e referências estéticas da música para orquestra de cordas.
A abertura do concerto traz Adagio e Fuga K.546, composta por Mozart em 1788. No catálogo organizado pelo próprio compositor, a obra aparece descrita como “um pequeno adágio para dois violinos, viola e baixo, sobre uma fuga que escrevi há muito tempo para dois pianos”. A peça mencionada é a Fuga em dó menor, K.426, escrita no final de 1783. A versão para cordas surgiu durante um período em que Mozart estudava intensamente a obra de Johann Sebastian Bach e Georg Friedrich Händel, realizando transcrições de fugas de O cravo bem temperado e reorquestrando obras como o oratório O Messias e a ópera Acis e Galatea.
Em seguida, a orquestra interpreta a Sinfonia nº 2 para cordas, de Felix Mendelssohn, composta em 1821, quando o compositor tinha entre 12 e 14 anos. As doze sinfonias para cordas escritas nesse período foram criadas logo após seus estudos com Carl Friedrich Zelter, discípulo de Johann Philipp Kirnberger, que por sua vez havia sido aluno de Bach. O primeiro movimento da sinfonia, em Ré maior, apresenta caráter rápido e vigoroso. O Andante, em si menor, explora uma textura contrapontística associada ao estilo barroco e constitui o movimento mais extenso da obra. O Allegro vivace final retoma o caráter do primeiro movimento em compasso 6/8, com passagens em que a escrita contrapontística se integra a um fluxo contínuo de notas.
A compositora Clarice Assad está representada no programa com Três pequenas variações sobre o tema “A maré encheu”, obra de 2020 inspirada em uma lembrança de infância da compositora, que recorda ouvir sua avó cantar o conhecido tema folclórico. A primeira variação, intitulada Cigana, utiliza tratamento modal que, segundo a compositora, confere um aspecto exótico ao tema. A segunda, Canção, apresenta a melodia acompanhada por pizzicatos de violoncelos e contrabaixos. A terceira variação, Dança, explora contrastes dinâmicos e elementos rítmicos associados ao maracatu.
O concerto se encerra com Instantes II “de Prados”, de Ernani Aguiar. Em 1986, o compositor iniciou a série de obras para orquestra de cordas intitulada Instantes. No mesmo ano, escreveu também os Duos de Prados, para violino e viola, compostos na cidade mineira de Prados. Instantes II foi estruturada a partir de quatro desses duos, posteriormente ampliados para a formação de orquestra de cordas. A referência à cidade aparece no movimento Boi mofado, que utiliza um tema cantado no tradicional folguedo mineiro.
O recital será regido por Gabriel Galdino, que iniciou seus estudos musicais aos dez anos de idade no projeto “Volta Redonda Cidade da Música”, atuando inicialmente como percussionista. Posteriormente, tornou-se repetidor, monitor e professor no projeto. É graduado em licenciatura em música pelo Centro Universitário de Barra Mansa, onde leciona Harmonia Vocal, História da Música e Prática de Conjunto. Possui pós-graduação em metodologia do ensino de artes pela Faculdade São Luís e em educação musical pela Faculdade de Ciências da Bahia (FACIBA). Atualmente dirige grupos do projeto Volta Redonda Cidade da Música, incluindo a Banda Mini, a Banda Marcial, além de já atuar como regente da Banda de Concerto e do Coro Infantojuvenil.
Orquestra Sinfônica da UFRJ | Recital de formatura em Regência Orquestral
📅 12/03 (quinta-feira) | 19h
📍 Salão Leopoldo Miguéz – EM/UFRJ
📌 Rua do Passeio, 98 – Centro – Rio de Janeiro
🎟️ Entrada gratuita
