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Início Outras notícias... Música Brasileira perde Gilberto Mendes
Música Brasileira perde Gilberto Mendes PDF Imprimir E-mail
Escrito por Francisco Conte   
Seg, 04 de Janeiro de 2016 15:06

Morreu nesta sexta-feira, 1, o compositor, maestro, professor e jornalista Gilberto Mendes. Ele estava com 93 anos e faleceu na sua cidade natal Santos, no litoral de São Paulo. Segundo familiares, a causa da morte foi, segundo a família, um infarto. Mendes deixa mulher e filhos.

Gilberto Ambrosio Garcia Mendes nasceu no dia 13 de outubro de 1922. Iniciou seus estudos de música aos 18 anos, no Conservatório Musical de Santos. Praticamente autodidata, compôs sob orientação de Cláudio Santoro e Olivier Toni. Frequentou o Ferienkurse fuer Neue Musik de Darmstadt, na Alemanha, em 1962 e 1968.

Gilberto Mendes era um dos signatários do Manifesto Música Nova, publicado pela revista de arte de vanguarda Invenção, de 1963. Foi porta-voz da poesia concreta paulista, do grupo Noigandres. Como consequência dessa tomada de posição, tornou-se um dos pioneiros no Brasil no campo da música concreta, aleatória, serial integral, mixed media, experimentando ainda novos grafismos, novos materiais sonoros e a incorporação da ação musical à composição, com a criação do teatro musical, do happening.

Também era professor universitário, conferencista e colaborador das principais revistas e jornais brasileiros. Fundou, em 1962, e ainda era diretor artístico e programador do Festival Música Nova de Santos.

Gilberto Mendes é doutor pela Universidade de São Paulo, onde deu aulas no Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes até se aposentar.

Em 2013 a Revista Brasileira de Música, editada pelo Programa de Pós-Graduação em Música da EM publicou no número 26-1 entrevista com o compositor que reproduzimos a seguir. Mendes estava então com 91 anos.

 

O compositor Gilberto Mendes e os 50 anos do Manifesto Música Nova

 

Rubens Russomanno Ricciardi
Clotilde Perez

 

gibertomendesrbm2013



Ao completaR 91 anos, o compositor Gilberto Mendes – Santos (SP), 13 de outubro de 1922 – reflete sobre o cinquentenário do Manifesto Música Nova, revelando detalhes importantes sobre a participação de diversos membros do movimento musical e suas relações interpessoais e intelectuais com membros do movimento literário paulista da época, bem como as experiências internacionais.

Rubens Russomanno Ricciardi e Clotilde Perez: Como foi idealizado o Manifesto Música Nova (MMN)? Você foi signatário, há 50 anos, do Música Nova, o que seria hoje um Manifesto da mesma natureza?
Gilberto Mendes: Rogério Duprat foi um dos principais ou o principal articulador do manifesto Música Nova. Ele escreveu e nós concordamos com tudo e assinamos. Ele tinha forte formação em filosofia de um modo geral. E nós, quando muito, líamos Marx. Acho que não seria possível um manifesto com a mesma natureza hoje. Na atualidade, está tudo muito misturado, são muitos pontos de vista, tudo muito variado; naquele tempo não tinha muito isso. Hoje tem muita mídia junto, celebridades, uma forte indústria da cultura; mas, já na época, nosso grupo foi muito favorecido pela mídia. Jornalista gosta de causar sensação e a gente causava sensação com a música esquisita que a gente fazia. Quanto mais falavam mal da gente, mais a gente ficava famoso. E ficava famoso porque falavam mal. O contexto hoje é outro. Naquela época tinha menos coisas, mas tudo aconteceu principalmente porque andávamos com os concretistas. O concretismo foi muito forte no Música Nova (o grupo Noigandres). E nós éramos muito amigos... Eles eram amigos muito inteligentes, muito cultos, os concretistas paulistas, o Haroldo de Campos, o Augusto, mas principalmente, o Décio Pignatari. O Décio morou na Europa e era amigo do Pierre Boulez (1925-), mas também do pessoal do teatro do Jean Louis Barrault (1910-1994), Madaleine Renaud (1900-1994), que se ligava ao movimento da música nova francesa. O Décio andava com eles, acompanhava tudo; e até ajudou a vender ingressos para eles. A primeira vez que a gente foi à Alemanha com os construtivistas nós encontrávamos com todos. Durante o Festival em Darmstadt ficava todo mundo no mesmo espaço e nós cruzávamos no refeitório e nos corredores com nomes importantes. Encontrei o Stockhausen (1928-2007) saindo do banheiro! O Música Nova teve forte vínculo com a literatura, mas principalmente com a poesia concreta. Nós estávamos seguindo na música um caminho equivalente ao que eles seguiam na poesia. Nosso Manifesto foi publicado na Revista Cruzeiro (que circulou de 1928 a 1975), que era uma revista de variedades, mas a mais famosa e importante da época. Não apenas o Manifesto foi publicado, mas também entrevistas, comentários – nosso manifesto foi incentivado por eles e publicado na revista deles. Nós quisemos segui-los e daí fizemos o Manifesto; mas, realmente, quem era bom de filosofia era o Rogério Duprat (1932-2006), como tinha formação em filosofia, ele fez a estrutura básica do texto do manifesto, ainda que nós debatêssemos muito todos aqueles assuntos.

RRR e CP: Em que sentido o senhor identifica as influências do Música Nova na composição musical no Brasil das décadas posteriores?
GM: Eu nem queria compor, ser músico: queria ser escritor, mas tive uma grande influência do meu então cunhado, Miroel Silveira (1914-1988), que me dizia "volta para Santos e volta a estudar música". Ele e minha irmã eram amigos desde a infância e depois na juventude eles se reencontraram e se casaram. Miroel foi muito importante na minha vida. Tinha muita sensibilidade musical e me incentivava.
O Festival Música Nova e o Manifesto influenciaram bastante. O Manifesto foi muito discutido na época. Foram muitos debates, por exemplo, houve um com o Marlos Nobre (1939-), no teatro de Arena em São Paulo muito relevante para o Manifesto, e como consequência desse debate teve uma polêmica no jornal a Gazeta – um vespertino em São Paulo muito importante, na época. Quem escreveu sobre o manifesto na Gazeta foi um professor de filosofia da Universidade Católica de Santos, um que queria ser músico e estudava composição com o Camargo Guarnieri (1907-1993): era o Sá Porto – e o Guarnieri que não era muito dado a Filosofia, pediu para ele escrever. E o texto foi escrito em um tom muito alto de filosofia. O texto foi bem crítico, até porque o Guarnieri estava em outra linha, o neofolclorismo, e eu respeito muito, mas a nossa posição era muito diferente, não era necessariamente contrária, mas era completamente diferente da linha mais folclorista e até nacionalista que ele seguia... Eram os anos 50, muita coisa acontecendo na Europa e nós tínhamos influência de Stockhausen e Gyorgy Ligeti (1923-2006), dos festivais de Donaueschingen e Darmstadt. E quem respondeu ao Sá Porto-Guarnieri foi o Rogério Duprat, e fez uma resposta duríssima, para acabar mesmo. E o Geraldo Ferraz (1905-1979), grande polemista e escritor de Santos, que era também o chefe do jornal A Tribuna em Santos – eu escrevia nesse jornal – quis que a resposta saísse na Tribuna, e assim fizemos. Mas eu não sou de conflito, escrevi a resposta, mas fiz um texto com muita consideração ao Guarnieri, até porque o que nós fazíamos não era necessariamente contrário a ele, era diferente.
E, sabe que ele ficou meu amigo? Mas a polêmica toda ficou um pouco "anti-Guarnieri" e nós queríamos apenas contrariar a dominação hegemônica que eles tinham. Eu até quis estudar com o Guarnieri, ele perguntou se eu tinha estudado contraponto e eu disse que não; e ele queria que eu estudasse com um aluno dele antes e aí eu que não quis. Queria ter sido aluno do Guarnieri mesmo. Fui autodidata, com o Guarnieri não deu certo, com o Koellreutter (1915-2005) também não deu certo porque ele morava na Bahia, no Rio de Janeiro; e acabei tendo apenas umas poucas aulas com o Claudio Santoro (1919-1989) e com George Olivier Toni (1926-). Do Guarnieri eu guardo uma lembrança feliz porque pude conviver muito com ele já no final da vida.

RRR e CP: Como você vê hoje o que se tem definido como pós-modernidade?
GM: Para mim as coisas vão se modificando por si mesmas, meio naturalmente. É um movimento natural que tudo se modifique. O conceito de vanguarda, por exemplo, é uma coisa do século XX, mas que passou. O pós-modernismo, essa baboseira, vai por aí, mas o que tem de real nele é o cansaço do politicamente correto, dessas briguinhas, dessas picuinhas, dessas igrejinhas estéticas. O século XX foi um tanto intolerante e agora há mais abertura.
RRR e CP: Como você vê ou posiciona John Cage no panorama da composição musical do século XX e atual? Quais foram, conforme sua visão, os grandes nomes e tendências enriquecedoras nesse campo, e como você vê a musica conceitual hoje?
GM: Ela é parte integrante e importante do panorama geral da música, panorama que, se você quer puxar uma linha qualquer, é possível dar predominância àquela que você puxou... A minha natureza é de gostar de tudo que é bom, e até de música ruim, algumas eu gosto; não tenho um ideal partidarista, de quem briga com todo mundo, nunca criei inimizade com um ou com outro. Minha luta, expressa no Manifesto Música Nova e no Festival Música Nova, era apenas para ampliar as opções; participei como meio para conseguir que a nossa música fosse tocada; eu era contra o domínio que eles tinham do panorama musical da época.

RRR e CP: Como você vê as perspectivas da composição musical para o futuro da música nacional e internacional?
GM: Sou sempre a favor da abertura... O festival agora está mesmo em uma nova fase. Na época do seu lançamento, era tudo muito novo, a escola franco-alemã, foi um grande momento da música, altamente sofisticada e difícil, mas o pecado básico dela foi eliminar a comunicação que a música do passado sempre teve. O grande Beethoven (1770-1827), Brahms (1833-1897), Bach (1685-1750) sempre foram admirados por todos. Essa "nossa" música não chegou às pessoas, temos que aceitar isso, apenas um compositor ou outro; ela ficou afastada e esse foi o pecado básico: se afastar totalmente da comunicação e, mais ainda, eliminar totalmente a emoção musical. Não vou dizer que não tem nada de emoção, mas é uma emoção extremamente particularizada, apenas para quem está intimamente dentro, não tem aquela emoção que vem do geral, ela não se conecta em ponto algum com o popular e a música do passado sempre se conectou com o popular, mesmo porque a música popular e a música erudita, segundo Bartók (1881-1945) são uma só.


RRR e CP: Você nasceu no ano da Semana de Arte Moderna de 1922. Haveria alguma simbologia ou influência no seu papel posterior na música brasileira?
GM: Acredito que não; até porque uma coisa não tem ligação com a outra, mas não deixa de ser algo de que todo mundo se lembra. E porque dá "um certo charme", e eu não me oponho! Não apenas coincidi com a Semana de Arte Moderna, também com a fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e ainda o lançamento do Ulysses, de James Joyce; tudo foi em 1922.

 

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Última atualização em Ter, 05 de Janeiro de 2016 06:14
 
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