170 ANOS FORMANDO MÚSICOS DE EXCELÊNCIA

A música colonial em Concertos UFRJ

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Um passeio pela música colonial brasileira é o convite que faz esta semana o programa Concertos UFRJ aos seus ouvintes. Em destaque, um repertório que, aos poucos, vem sendo desvendado pela pesquisa musicológica e posto novamente à circulação de um público mais amplo por iniciativas discográficas pioneiras e por instrumentistas e grupos, felizmente cada vez mais numerosos, apaixonados por ele. Belo aperitivo para o 2º Festival de Música Antiga da UFRJ que começa na próxima semana na Escola de Música e que reúne músicos e especialistas do País que vão se debruçar justamente sobre os problemas da interpretação contemporânea de partituras, como essas, silenciadas por séculos.

 

podcast

Ouça aqui o programa: 

Toda segunda-feira, às 22h, tem "Concertos UFRJ" na Roquette Pinto FM. Sintonize 94,1 ou acompanhe pela internet!

Programas anteriores podem ser encontrados na seção Concertos UFRJ.
Há uma heterogeneidade na recepção da produção cultural brasileira do séc. XVIII e início do XIX. As obras dos principais artistas do barroco brasileiro, por exemplo, já são amplamente aceitas. É o caso das pinturas de Manuel da Costa Ataíde (1762-1837), mais conhecido como Mestre Ataíde, e, sobretudo, das esculturas de Antônio Francisco Lisboa (1738-1814), o “Aleijadinho”, que despertam a admiração de todos, especialmente depois que foram “redescobertas” pelos nossos modernistas no início do século passado. O mesmo não aconteceu, entretanto, com a música executada nas Igrejas setecentistas riscadas pelas mãos deformadas daquele mulato genial. Compositores seus contemporâneos como Lobo de Mesquita, Parreira Neves, Manuel Dias e Castro Lobo são quase que totalmente desconhecidos fora do estreito círculo dos pesquisadores e musicólogos.

 

Mas se a produção artística do período pode ser caracterizada como barroca, ainda que diversos especialistas chamem atenção para as características que a distingue da vertente europeia, a música do período é já nitidamente pré-clássica, com alguns resquícios barrocos como a presença do baixo contínuo denuncia. Outro aspecto marcante, o repertório quase exclusivamente sacro e destinado a apoiar as inúmeras cerimônias litúrgicas.

 

Parreiras Neves

 

A primeira obra destacada pelo programa foi o Credo para coro e orquestra, composto entre 1780 e 1785 pelo por Inácio Parreiras Neves, de quem se possui escassas informações biográficas e do qual restaram poucas partituras. Sabe-se, porém, que nasceu na então cidade de Vila Rica, atual Ouro Preto, em 1730, e faleceu em data imprecisa por volta de 1794. A interpretação, a da Camerata Barroca de Caracas com a direção de Isabel Palácios.

 

Lobo de Mesquita

 

José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita é o autor que a quase unanimidade dos musicólogos considera o mais importante dos muitos que exerceram o ofício nas Minas Gerais daquele período. Nasceu por volta dos anos 1740 e atuou como organista e compositor em Diamantina, Vila Rica e nas cidades da região. Com o declínio do ciclo do ouro acabou vindo para o Rio de Janeiro em 1800, onde se tornou organista da Igreja do Carmo, na atual Praça XV. Aqui faleceu em 1805.

 

Suas obras foram resgatadas nos anos 40 do século XX pelo musicólogo teuto-uruguaio Francisco Curt Lange, quando pesquisava manuscritos nos antigos arquivos das irmandades mineiras. O programa apresenta duas delas: a Antífona de Nossa Senhora Salve Regina, uma das primeiras recolhidas; e o Te Deum Alternado para coro e orquestra, peça de maior envergadura que combina trechos cantados em gregoriano com partes compostas por Mesquita. As interpretações foram, respectivamente, a do Coral Ars Nova da Universidade Federal de Minas Gerais e orquestra de músicos convidados sob a direção de Carlos Alberto Pinto Fonseca, e a da Camerata Barroca de Caracas tendo como solista o barítono Esteban Cordero e direção de Isabel Palácios.

 

Dias de Oliveira

 

Na região atuou também outro importante compositor brasileiro do período colonial, Manuel Dias de Oliveira que nasceu por volta do ano de 1734 na Vila de São José , atual Tiradentes. Foi mestre de capela e músico militar. Muitas de suas obras foram preservadas, das quais a mais executada é o Magnificat para coro e orquestra que o programa apresentou na versão do Coral Ars Nova da Universidade Federal de Minas Gerais, orquestra de músicos convidados e a direção de Carlos Alberto Pinto Fonseca.

 

Castro Lobo

 

Fora do círculo da produção sacra uma das poucas obras conhecidas do período é a Abertura em Ré do Padre João de Deus Castro Lobo, compositor que nasceu na cidade de Vila Rica em 1794 e faleceu precocemente na vizinha Mariana em 1832. A partitura foi resgata há pouco mais de 30 anos de forma inusitada por Harry Crowl, quando pesquisava um acervo de banda.

 

Ela está dividida em duas partes, sendo a primeira um movimento lento em forma de introdução onde se destaca o grande solo de violoncelo. A segunda, um allegro. A versão transmitida foi da Orquestra Barroca do 17o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora sob a direção de Luiz Otávio de Souza Santos.

 

Concertos UFRJ resultam de um convênio da UFRJ com a rádio Roquette Pinto, indo ao ar toda segunda-feira, às 22h, na sintonia 94.1Apresentado por André Cardoso, regente titular da OSUFRJ, as edições podem ser acompanhadas on line ou por meio do podcast (áudio sob demanda) da Roquette Pinto (FM 94,1).

 

Contatos através do endereço eletrônico: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

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