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Honoris Alma PDF Imprimir E-mail
Veículo: O Estado de São Paulo   
Sáb, 24 de Setembro de 2011

Entrevista com Nelson Freire, publicada no jornal O Estado de São Paulo, em 24 de setembro 2011, que aborda a concessão do título de Doutor Honoris Causa da UFRJ ao grande pianista brasileiro.

 

 

estadao-2011-09-24

 

Honoris Alma


Sua infância, seus discos, seu piano; as memórias de Nelson Freire também dariam uma sinfonia.

João Luiz Sampaio

 

Nelson Freire está em seu estúdio, ensaiando - e, enquanto ele não vem, a sala de sua casa no Rio fala em seu lugar. Sobre o piano, programas, troféus, fotos e partituras, com destaque para os prelúdios de Debussy. Há também discos, em especial da cantora Ella Fitzgerald, ao lado de uma seleção de recitais da pianista brasileira Guiomar Novaes e alguns filmes, entre eles, A Doce Vida, de Fellini.

 

Sobre a mesa de centro, uma cópia do discurso com o qual ele agradeceria, no último dia 15, o título de Doutor Honoris Causa oferecido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro: "Na música instrumental, é possível expressar toda a complexidade da experiência humana, sem utilizar uma só palavra." Minutos depois, quando encontra a reportagem, Freire brinca. Tímido, brigou 'desde sempre' com as palavras.

 

Mas a música fala em seu nome. E, nos últimos tempos, bastante foi dito. Depois de assinar contrato com o selo Decca, no início dos anos 2000, suas gravações têm sido celebradas mundo afora. Seu último álbum, por exemplo, com os Estudos Transcendentais e as Valses Oublièes, entre outras obras de Liszt, foi considerado pelo crítico americano Alex Ross o mais importante lançamento da avalanche de homenagens pelo bicentenário do compositor. E ele já prepara um novo disco, agora dedicado a autores brasileiros, que será gravado em janeiro, na Alemanha, como conta na entrevista a seguir.

 

Você foi escolhido para receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio. Qual o significado que essa homenagem tem para você?

Eu me sinto nervoso (risos). Já imaginou, ter que subir na frente de todo mundo e falar sobre minha carreira? Mas é uma honra enorme. E se tratar de uma instituição carioca só torna tudo ainda mais especial, é uma cidade que adoro. E não só isso. Eu brinco sempre, digo que sou mineiro de alma, mas carioca de coração. O Rio foi a cidade que me viu crescer, em todos os sentidos. Os momentos mais importantes da minha trajetória foram vividos aqui, meus primeiros 14 anos, que é um período no qual você se forma como pessoa. O Rio ainda hoje é a minha referência, é para onde volto.

 

Você ainda era criança quando saiu de Boa Esperança, em Minas, para o Rio. Qual a memória que restou dessa viagem?

Eu estava com cinco anos, prestes a completar seis. E a primeira sensação era de libertação. Eu era muito doente, cheio de alergias, asma, o que me fazia sofrer demais. Mas, no Rio, eu logo comecei a melhorar e isso mudou minha vida.

 

Você fala no Rio como o local para onde você sabe que pode retornar. E, em diversas ocasiões, já manifestou uma indisposição com a rotina de viagens e recitais que a carreira internacional exige. Já pensou em parar?

No início, diversas vezes. O que acontece é que as sensações são muito fortes. Eu lembro da primeira viagem para a Europa, com 14 anos, para estudar em Viena. Peguei o navio com o professor que me daria aulas lá, o Bruno Seidhofler. Foi uma festa, tudo era novidade. Meu apelido a bordo era 'boizinho', porque eu comia tudo o que via pela frente. Foi a primeira vez que comi presunto de parma (risos). Estava sozinho na cabine, que tinha três camas. Achava aquilo uma curtição, cada noite dormia em uma cama. Chegamos em Gênova, pegamos o trem para Viena, onde fomos recebidos pela família que me abrigaria por uns dias. Jantamos, conversamos, e então fui para o meu quarto. Quando fechei a porta, me dei conta de que estava sozinho, a ficha caiu. Aquela sensação foi horrível, lembro dela até hoje.

 

E mais tarde a vontade de parar voltou?

Quando eu estava começando minha carreira internacional, fiz uma turnê latino-americana, eu estava com pouco mais de 20 anos. Estavam previstos dois concertos em Lima e, entre eles, uma passagem por Bogotá. Quando cheguei lá, fiquei sabendo que ficaria na cidade duas semanas. Eles me deixaram no hotel e falaram: "Não saia daqui, a cidade é perigosa, vá só ao teatro e retorne ao hotel. Voltamos daqui a duas semanas para te levar para o recital." E assim foi. Todo dia ia ao teatro estudar, mas precisava passar por uma ruela estreita, que me deixava assustadíssimo. E, no resto do tempo, não saía do quarto, ficava escrevendo cartas. Momentos como esse foram muitos em minha vida, você precisa ter muita saúde para tolerar. Não é à toa que muita gente desiste no meio do caminho, pessoas que têm um talento musical excepcional, mas não dão conta desse tipo de vida.

 

Você nunca foi grande fã de gravações. Como mudou sua carreira depois da assinatura do contrato com o selo Decca, no início dos anos 2000?

Estamos vivendo uma nova fase interessante. Eu recebo relatórios da gravadora dizendo que tal disco foi vendido em 60 países diferentes e fico impressionado. O mundo mudou tanto, todo mundo se comunica, todo mundo sabe o que está acontecendo em todo canto. Mas é tudo muito estranho. Dizem que o CD vai acabar e, ao mesmo tempo, as pessoas voltaram a comprar vinil, e estão pagando caro! Aliás, eu prefiro o vinil, acho o som muito mais interessante, se presta melhor ao repertório clássico, que não é digital, não se resume a ondas, degraus. Enfim, fico feliz com a recepção que meus álbuns têm conseguido, mas, você sabe, eu não ouço o que gravo, então não sei ao certo como ficou, e acho que prefiro assim.

 

Seu último álbum é dedicado a Liszt. Em um momento de efeméride como esse, como foi a escolha do repertório? Como ser original ao gravar o compositor?

Não era essa a minha preocupação, o repertório na verdade foi se transformando muito enquanto eu montava a gravação. No final das contas, acabou ficando um pouco diferente do que se costuma fazer, abordando um aspecto menos explorado da obra do Liszt. Mas não foi de propósito, não foi premeditado. Aliás, está sendo a mesma coisa agora com o próximo disco, com música brasileira, o repertório já mudou dezenas de vezes. E, até eu entrar em disco, vai mais ainda.

 

Como será este álbum? Ao menos a versão atual…

Será algo na linha Villa-Lobos e Amigos. Villa é conhecido lá fora, sim, mas não é tão tocado quanto deveria. Imagine, então, outros autores, como Francisco Mignone, Camargo Guarnieri, Barroso Netto, Alexandre Levy, Henrique Oswald. Por isso achei interessante ter Villa como eixo condutor, mas também abrir as portas a outros nomes. A gravação será em janeiro, em Hamburgo, onde gravei também o Liszt.

 

Você interpretou recentemente o Concerto de Schumann com a Osesp, em leitura bastante elogiada pela crítica. Tem vontade de gravar esse e outros concertos que são pilares do repertório para piano e também da sua trajetória. Penso no Grieg, nos concertos de Chopin, Beethoven, Rachmaninoff...

Eu tenho muita vontade de fazer tudo isso, vamos ver se acontece. Quando eu gravei os concertos de Brahms com o Riccardo Chailly, em Leipzig, ele me convidou para fazer os cinco concertos de Beethoven. Mas eu não quis.

 

Por quê?

Porque não funciono bem sob encomenda, não me dá tesão. Nos anos 70, o selo Teldec me convidou para fazer a integral dos Noturnos de Chopin. Comecei mas, logo, abandonei o projeto. Não estava preparado para aquilo. Sabe, Chopin passou a vida toda para escrever aquelas obras e eu vou sentar no piano e tirar da cartola uma interpretação? No caso do Beethoven, toco bastante o quarto e o quinto concertos, com os demais a relação não é tão próxima, não sei se seria o caso de gravá-los.

 

Com mais de 50 anos de carreira, você se sente tentado a fazer balanços?

Nunca. Eu olho muito para o passado, mas para lembrar, não para sentir falta, não para fazer balanços. Tento sempre olhar para frente. Gosto, claro, de coisa antiga (risos), do cinema, das gravações dos antigos mestres. Mas a memória, para mim, não está ligada necessariamente ao passado ou a qualquer tipo de nostalgia. Lembrar é gostoso, mas pode ser algo leve, que te joga para frente. Quando estou no piano, isso acontece muito. Toco uma nota, uma passagem, e uns pedaços de memória voltam, lembranças claras ou entrecortadas, um pouco de psicanálise (risos). O segundo concerto para piano e orquestra de Brahms, por exemplo, me transporta para Ipanema em 1958, e isso é maravilhoso, muito bom, não é um peso.

 

BOXES

 

Liszt: Concertos

Nos anos 90, o pianista brasileiro já havia dedicado um álbum ao compositor húngaro Franz Liszt: os dois concertos para piano e orquestra, sob regência de Michel Plasson, à frente da Filarmônica de Dresden (selo Berlin Classics, importado)

 

Brahms: Concertos

Álbum duplo gravado com Ricardo Chailly e a Orquestra do Gewandhaus de Leipzig. Quem ouve torce para que Freire reconsidere a negativa ao convite do maestro para gravar os concertos de Beethoven.

 

Grieg e Schumann

Os concertos para piano e orquestra dos dois compositores são testemunho da relação especial do pianista com o maestro Rudolf Kempe, que nessa gravação comanda a Filarmônica de Munique.

Beethoven: Sonatas

Os discos solo gravados para a Decca colocam o pianista cara a cara com boa parte de seu repertório. Os destaques são muitos Schumann, Chopin, Debussy e esta seleção das sonatas de Beethoven.

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