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Início Concertos UFRJ A Hora Espanhola, de Ravel
A Hora Espanhola, de Ravel PDF Imprimir E-mail
Compositor eclético por excelência, Ravel soube tirar proveito do seu interesse pela tradição musical das mais variadas origens. Em particular, é notória a influência espanhola sobre seu imaginário.
Escrito por SeTCOM   
Seg, 29 de Agosto de 2011 08:34
A Hora Espanhola ("L'Heure espagnole"), deliciosa comédia musical em um ato para cinco solistas e orquestra, composta por Maurice Ravel em 1907, é a atração desta semana de Concertos UFRJ. Parceria da Escola de Música (EM) com a rádio Roquette Pinto, o programa conta com a produção e apresentação de André Cardoso, docente da EM, e vai ao ar toda segunda-feira, às 22h, pela emissora, na sintonia 94,1 FM.

 

 

podcast

Ouça aqui o programa: 

Toda segunda-feira, às 22h, tem "Concertos UFRJ" na Roquette Pinto FM. Sintonize 94,1 ou acompanhe pela internet!

Programas anteriores podem ser encontrados na seção Concertos UFRJ.
Juntamente com o amigo Claude Debussy, Ravel (1875 – 1937) é considerado um dos principais representantes do impressionismo musical. Sua obra apresenta ademais um audaz estilo neoclássico e, às vezes, rasgos de expressionismo, sendo fruto de uma complexa herança e de inovações que revolucionaram a produção para piano e para orquestra.

 

Sua obra uniu a tradicional elegância francesa das formas a uma fantasia transbordante e a um colorido que lembram a música popular espanhola. A influência peninsular é marcante tanto em A Hora Espanhola, como em sua Rapsódia Espanhola (1907) e em seu famoso Bolero (1928).

 

Composta a partir de uma peça de Franc-Nohain (1872-1934), A Hora Espanhola é a primeira comédia musical (preferia esta denominação à ópera) de Ravel e, com pouco menos de uma hora de duração, estreou em 1911 no Opéra-Comique de Paris em um programa duplo com Thérèse, de Jules Massenet. Não granjeou então aplausos do público, sendo considera picante demais e, mesmo, "pornográfica". Depois de uma temporada inicial de nove representações não foi reapresentada até ser montada novamente pela Ópera de Paris, em 1921, e depois nos Estados Unidos. Aos poucos, as restrições iniciais foram sendo superadas e suas qualidades reconhecidas.

 

A versão veiculada no programa traz Elizabeth Laurence, soprano, como Concepcion; Tibere Raffali, como Gonzalve; Michel Senechal, tenor, como Torquemada; Gino Quilico, barítono, como Ramiro; e François Loup, baixo, como Don Inigo Gomes. A orquestra é a Nouvel Philarmonique com regência de Armin Jordan.


As edições do programa Concertos UFRJ podem ser acompanhadas on line ou por meio do podcast (áudio sob demanda) da Roquette Pinto (FM 94,1). Contatos através do endereço eletrônico: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

 

Sinopse de "L'Heure espagnole".

 

Ópera em um ato de Maurice Ravel sobre libreto de Franc-Nohain.

capaahoraespanhola

Personagens

 

Concepcion, esposa de Torquemada, soprano.
Ramiro, arrieiro, tropeiro, isto é, guia de animais, barítono.
Torquemada, relojoeiro, tenor.
Gonzalve, bacharel e poeta, tenor.
Don Inigo Gomez, um banqueiro rico, barítono.

 

Não há coro.

 

A ação se passa em Toledo, no séc. XVIII. Toda intriga se desenvolve no atelier de Torquemada.

 

Ato único

 

Concepción, uma temperamental espanhola, está cansada do relojoeiro Torquemada, seu marido, que não lhe satisfaz mais os desejos. Ela o lembra que é dia de revisão dos relógios públicos da cidade e este se retira para dar conta do serviço.

 

A mulher pensa em aproveitar bem seu único dia de liberdade e convidou um admirador, o poeta Gonzalvo, para encontrá-la. Mas antes que apareça surge inesperadamente Ramiro – homem forte e atraente, porém com pouca experiência com as mulheres, que está atrás de Torquemada para que este conserte seu relógio de pulso e, em sua ausência, decide esperá-lo.

 

Concepción não sabe o que fazer e pede a Ramiro par levar ao primeiro andar um dos grandes relógios de pêndulo do estúdio. Surge Gonzalvo, mas nos poucos instantes que os amantes dispõem a sós o poeta gasta recitando versos intermináveis. Concepción frustrada, já que esperava algo mais ardente, ouve os passos de Ramiro descendo as escadas e esconde rapidamente o poeta em um grande relógio do marido. Sem saber o que fazer, acaba pedindo que suba o relógio, no qual está o amante, e traga o que há pouco havia levado. Ramiro, homem muito forte, não se opõe.

 

Enquanto observa Ramiro subindo, chega o gordo banqueiro Don Iñigo, que lhe faz uma declaração de amor. Quando Ramiro retorna, Concepcion não tem outra alternativa do que trancafiar também o enorme senhor no interior de um relógio Cuco. Ela pensa em trocar Gonzalvo por Iñigo, que, apesar de gordo e careca, é rico e parece ser um amante mais discreto. Pede então a Ramiro que leve o relógio Cuco a seu quarto e desça com o anterior, onde está Gonzalvo.

 

Ramiro levanta os relógios com impressionante facilidade, o que produz certa excitação em Concepción. Ele está de bom humor e se sente bem sendo admirado pela mulher. O clima de sedução se estabelece e Concepcion acaba por pedir desça o relógio Cuco do seu e, em seguida, sobe com Ramiro, que agora não carrega nenhum relógio.

 

Torquemada retorna e encontra o poeta e o banqueiro presos no interior dos relógios. Concepción e Ramiro descem as escadas e este usa novamente a força para livrar o banqueiro que, entalado, não conseguia sair do relógio em havia sido posto. Ágil nos negócios, aproveita a ocasião para vender a bom preço os relógios aos amantes da mulher.

 

Em um final jocoso, todos elogiam, ainda que por razões diversas, a força descomunal e a habilidade de Ramiro.




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Última atualização em Seg, 14 de Maio de 2012 19:10
 
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