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Início Escola de Música na Imprensa Breve pausa para recarregar as baterias
Breve pausa para recarregar as baterias PDF Imprimir E-mail
Veículo: O Globo   
Sex, 20 de Maio de 2011

Entrevista com o pianista Nelson Freire publicada na edição de 21 de maio de 2011 de O Globo.

 

 

ogologo-2011-05-21

 

Breve pausa para recarregar as baterias

Em curta passagem pelo Rio, Nelson Freire lança CD dedicado a Liszt, celebra ano muito bom e fala da crise na OSB

 

Mauro Ventura

 

Até aquele momento, o pianista Nelson Freire não tinha escutado seu novo disco, "Liszt: Harmonies du soir".

 

- A primeira vez que estou ouvindo é aqui, como música de fundo - diz ele, sentado no café da Livraria da Travessa de Ipanema, instantes após o lançamento do CD, na quarta-feira.

 

Freire tinha certeza de que era ele tocando, porque quando lançou seu disco dedicado a Debussy a livraria fez o mesmo. Pode parecer estranho que um dos maiores pianistas do mundo não reconheça seu próprio trabalho, mas já aconteceu antes, como na vez em que ouviu a gravação do Concerto no 1 de Liszt e pensou que quem tocava era Martha Argerich, sua amiga desde 1960. Mas era ele. Contou a história a ela, e Martha disse que certa ocasião ouviu a "Fantasia" de Schumann e pensou que era Freire. E era ela.

 

- Não ouço nem durante nem depois meus discos. Já tem uns cinco anos isso, foi acontecendo aos poucos. Porque se ouço fico querendo mudar.

 

Ele passou quase duas décadas sem gravar, mas nos últimos anos tem feito isso com frequência - por contrato com a Decca, lança um disco por ano. Teve Beethoven, Debussy, Brahms, Schumann, Chopin, Liszt.

 

- Vario bastante, não quero ficar estereotipado.

 

O próximo, ano que vem, vai ser "Villa-Lobos e seus amigos”, por conta dos 125 anos de nascimento do compositor. Os "amigos" são Claudio Santoro, Camargo Guarnieri, Francisco Mignone e Lourenço Fernandes. O CD de Liszt era esperado. Não só porque em 2011 se completam 200 anos de nascimento do compositor húngaro, maior pianista de todos os tempos, mas porque uma das mestras de Freire, Lúcia Branco, estudou com um aluno de Liszt, Arthur De Greef.

 

- Sempre tive muita atração pela música dele, desde criança. E pelo personagem. Foi um ser humano fantástico, que viveu intensamente, abriu as portas para muita coisa na música. Ele inventou o recital mesmo de plano. E tocava de perfil para o público, já que era muito bonito. Antes dele se tocava de costas.

 

‘A avaliação são os concertos’

 

No lançamento do disco, alguns ex-músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira apareceram vestindo a camiseta "SOS OSB". Pediram autógrafos e tiraram fotos. Em abril, dizendo-se chocado com a demissão de 36 músicos, Freire cancelou as duas apresentações que faria este ano com a OSB. Ele prefere não se aprofundar no assunto, mas explica:

 

- Fiz em solidariedade. Foi a primeira orquestra com que toquei na vida, em 1956. O desfecho me deixou muito triste, como a todo mundo.

 

Sobre a avaliação de desempenho dos músicos proposta pelo maestro Roberto Minczuk, que detonou a crise na OSB, diz:

 

- A avaliação são os concertos, os ensaios. Ali você sabe que músicos, que orquestra você tem. Você conhece.

 

Perguntado sobre se acha que a OSB vai se reerguer, responde:

 

- Mas de qual OSB você está falando? A dos músicos demitidos? A dos que ficaram? A dos que estão sendo contratados?

 

Este ano, a princípio, não está previsto recital seu no Brasil.

 

- Mas as coisas aqui são todas feitas de última hora. Lá fora, a vida do pianista é muito programada.

 

Ele chegou sábado passado de Paris, onde tem um apartamento, e vai embora amanhã.

 

- É o maior intervalo que estou tendo desde março, quando comecei a fazer um concerto atrás do outro. Mas preciso de um pouco desse arzinho daqui para recarregar as baterias.

 

As constantes viagens o aborrecem não pelos lugares, que adora visitar, mas pelo deslocamento em si. Ou seja, o aeroporto, as filas, o avião, a mala.

 

- E o fuso. Gosto tanto daqui que meu inconsciente escolheu o fuso horário do Brasil. Quando venho para cá é uma beleza, acordo cedo, durmo cedo.

 

Ele diz que o ano tem sido "muito bom". Logo em 1o de janeiro, foi informado de que o governo francês o tinha agraciado com a Legion d’Honneur. E a UFRJ concedeu-lhe o título de Doutor Honoris Causa. O disco de Liszt tem recebido elogios unânimes, mas ele diz não ler críticas:

 

- Se são ruins, fico deprimido. Se são boas, corro o risco de ficar vaidoso. E a música é muito sagrada para se ter esse tipo de atitude.

 

O CD foi gravado entre os dias 26 e 31 de janeiro em Hamburgo, na Alemanha, e traz um repertório menos óbvio.

 

- Pensei: "Todo mundo vai gravar certas coisas." Quando vi, o repertório estava fugindo um pouco da coisa bombástica. Liszt tem vários aspectos. O mais esperado é o brilho, mas tem o lírico e o emocional também. Na minha escolha, tem um aspecto mais crepuscular, mais introvertido.

 

Quando pequeno, ele era alinda multo mais tímido que hoje. O pilano tornou-se seu refugio:

 

- O colégio era horrível. Hoje Isso teria nome:

 

- Não existia essa palavra, mas certamente sofre bullying.

 

Freire não se sente à vontade em entrevistas. No último dia de filmagem do documentário de João Moreira Salles, após dois anos de trabalho, o cineasta avisou que era chegada a hora de conversarem. "Ai, meu Deus, como vai ser Isso?”, Freire se assustou. Ele confirma a fama de avesso a entrevistas:

 

- Mas dizem que melhorei. O que você acha?

 

Parece ter melhorado, sim.

 

- Mas tem outras coisas que faço com mais prazer completa, bem-humorado.

 

FOTO:

Crédito: Leonardo Aversa

Legenda: ANELSON FREIRE: disco do pianista dedicado ao compositor húngaro traz repertório "mais crepuscular", que foge ao óbvio.

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