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Início Escola de Música na Imprensa Clássico sim, chato não
Clássico sim, chato não PDF Imprimir E-mail
Veículo: O Globo   
Sáb, 30 de Abril de 2011

Artigo de Andre Heller-Lopes, docente do departamento Vocal da Escola de Música, publicado em O Globo, 01 de maio de 2011.

 

 

oglobo-2011-05-01

 

 

Colunista convidado: Andre Heller-Lopes*

 

Clássico sim, chato não

 

Esta é uma crônica que saiu dos trilhos. O plano original era escrever sobre a Ópera Nacional, que brilhou no Rio do século XIX. Histórias não faltam para um livro, ao sabor dos folhetins da época. Um espanhol, tenor e empresário, apadrinhado do Imperador; divas engalfinhando-se: uma Condessa Rozwadowska;: a estreia de Carlos Gomes e óperas nacionais com violas caipiras na orquestra para escândalo geral; ópera traduzida por Alencar ou Machado. A vida musical debatida diariamente nos jornais por sete anos, como parte viva do nosso cotidiano. Foi aí que meu trem descarrilhou.

 

De repente, percebo que vivemos,  em pleno 2011, um movimento de evidência muito parecido com 1857-1863. Cá estamos nós, em meio à crise "wagneriana" que assola a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e que não fica nada a dever à crise que acabou por destruir aquela que nasceu com o pomposo título de Imperial Academia de Música & Ópera Nacional e, ao morrer, tinha a confusa alcunha de Ópera Nacional e Italiana. Mais de um século depois, a visibilidade é maior do que nunca, seja qual for o resultado do embate: "Falem mal, mas falem de mim." Embora ainda não seja possível chamá-la de popular, a música clássica no Brasil voltou a fazer parte da moda. Prova da efervescência, tenho pela frente um "Tristão e Isolda” em Manaus, "A Valquíria" no Municipal de São Paulo e "Nabucco" em Belo Horizonte e no Rio. Teatros de ópera trabalhando juntos. como se faz na Europa e nos Estados Unidos.

 

Se o número de óperas e concertos ainda é menor do que o de 150 anos atrás, a qualidade dos cantores-atores (líricos ou não ) é possivelmente a melhor dos últimos 50 anos. Assim como no mundo do teatro musical, os alunos de canto estão mais antenados graças a redes sociais e vídeos na internet. onde compartilham conhecimento de uma forma nunca vista antes.

 

No Rio, temos um Municipal de novo, mais lindo do que nunca. Seu "Irmão mais novo" de São Paulo segue o mesmo caminho. Manaus comemora 15 anos de Festival de Ópera. 0 Palácio das Artes de Belo Horizonte encabeça a busca por parcerias artísticas. Isso sem falar no sucesso artístico da Osesp e da Filarmónica de Minas. Há a febre de musicais,bisnetos das zarzuelas estreadas na Ópera Nacional em 1857. Por todo Brasil, há óperas no cinema, "perigosamente" elevando o padrão de qualidade para cima - bem alto. Ideia MUITO boa, mesmo para os que preferem ópera ao "vivíssimo", sem close nos cantores ou tomadas de bastidores. O chato é quando sua mãe vai ver a exibição da "Tosca" do MET para comparar com a que o filho dirigiu em Salzburgo. Ganhei, mas o orgulho ficou meio inseguro por duas horas. O fato é que voltamos a talar de todas as músicas.

 

Lentamente, começamos a deixar para trás o papo de que ópera é coisa de elite: "o exercício da possibilidade" é gostar de sinfonia da mesma forma que se pode gostar de axé ou não. A maior diferença é que até há pouco tempo todos éramos um pouco obrigados a entrar em contato com apenas um gênero de música, apenas uma possibilidade entrando pelas nossas orelhas na academia ou no carro ao lado parado no sinal. Agora, no melhor estilo da década de 1860, não somente temos nos nossos jornais uma discussão quase diária sobre temas ligados à música clássica, como é a música que ouvimos no metrô do Rio ou que vemos invadir a praia da TV - mesmo que seja (ainda) em anúncios de sabão ou de coleções de CDs e DVDs vendidas nas bancas de jornal. Chega à sua centésima edição a valiosa “Agenda Viva Música". Onde está o champanhe?

 

Antes que a cortina feche, pergunto: como não relacionar os eventos que movimentaram a intelectualidade do Brasil do Segundo Reinado, quando aquilo que foi a cultura brasileira dos últimos cem anos formava-se, e o renovado interesse na música de concerto? O próximo passo, em especial para os que ainda não puderam descobrir as maravilhas dessa "outra música", será chegar ao "falem BEM, e falem de mim”.

 

* Andre Heller-Lopes, doutorando no King´s College de Londres,  é diretor de ópera e  professor do  departamento Vocal da Escola de Música da UFRJ

 

OLHO

“Começamos a deixar para trás o papo de que ópera é coisa de elite: o exercício da possibilidade é gostar de sinfonia como se pode gostar de axé”

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