170 ANOS FORMANDO MÚSICOS DE EXCELÊNCIA

Concerto de demitidos da OSB lota sala

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Leia Matéria publicada em 2 de maio de 2011 no jornal O Globo sobre o concerto dos músicos demitidos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) que aconteceu na Escola de Música.

 

 

oglobo-2011-05-02

 

 

Concerto de demitidos da OSB lota sala

Músicos afastados e colegas de outras orquestras tocam para 600 pessoas

 

O "concerto manifesto" realizado pelos 36 músicos demitidos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), na companhia de 35 artistas convidados para o ato, levou mais de 600 pessoas ao salão Leopoldo Miguez, na Escola de Música da UFRJ, na noite de sábado.

 

O teatro ficou superlotado e parte do público acompanhou o espetáculo de três horas de duração de pé. Antes que o maestro Osvaldo Colarusso assumisse o grupo que recebeu o título extraoficial de "a nova OSB" e executasse o Hino Nacional, a abertura "Alvorada", da ópera "Lo Schiavo", de Carlos Gomes, e as "Bachianas Brasileiras número 4", de Heitor Villa-Lobos, a presidente do Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, Débora Cheyne, leu um manifesto:

 

- Aqui estão aqueles que têm sido Injustamente chamados de acomodados, incompetentes e indisciplinados. Agora eles vão mostrar seu verdadeiro valor.

 

Por não se submeterem às avaliações de desempenho propostas pelo regente titular da orquestra, Roberto Minczuk, no início do ano, 36 dos 82 músicos da OSB foram demitidos por justa causa pela fundação que administra o conjunto. Na última semana, a entidade informou que as negociações com o grupo rebelado estavam encerradas.

 

No segundo ato da noite, a solista Cristina Ortiz, que cancelou evento agendado para o mesmo dia com a OSB, tocou o "Concerto para Piano op. 58 número 4", de Beethoven. Cristina, que usava sob o traje de gala preto uma camiseta com o logotipo do movimento SOS OSB, disse ter cortado relações com Minczuk.

 

- Ninguém tem o direito de massacrar, humilhar, despedir e atrapalhar a vida dos outros. Para mim, Minczuk morreu. Enterrou a própria carreira. Fez bobagem fruto de uma mania de grandeza revoltou-se a pianista. Entre os 35 agregados da noite, havia membros da Orquestra do Theatro Municipal do Rio, da Sinfônica Nacional e da Petrobras Sinfônica.

 

Se tivéssemos patrocínio e lugar para ensaiar, fundaríamos outra orquestra afirmou Luzer Machtyngier, ex-presidente da Comissão de Músicos da OSB. Na plateia, antigos membros da orquestra, como o violinista José Alves e o clarinetista José Botelho, o cantor e compositor Edu Lobo e a deputada Jandira Feghali. Os secretários municipal e estadual de Cultura, Emilio Kalil e Adriana Raes, respectivamente, não compareceram ao evento. Em entrevista à revista "Veja" desta semana, Minczuk diz que a orquestra ainda está muito longe de atingir um nível internacional e que enxergava, por parte dos músicos, "permanente afronta à disciplina e à busca pela excelência".

 

As audições para entrada de músicos na OSB, agendadas desde o ano passado, vão acontecer este mês em Londres, Nova York e no Rio. Antes destinadas apenas a buscar instrumentistas para 13 vagas em aberto na orquestra, a fundação agora afirma que as audições serão usadas para tentar preencher o espaço dos demitidos. (Catharina Wrede e Cristina Tarddguila)

 

FOTO

Crédito: Camilla Maia

Legenda: INSTRUMENTISTAS no palco da Escola de Música: protestos contra o maestro Roberto Minczuk

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