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“Don Quixote nas bodas de Comacho” abre temporada de ópera na Universidade

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Foto: Renan Salotto

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José Henrique Moreira, Marcelo Fagerlande e Eduardo Biato

“Don Quixote nas bodas de Comacho”, do compositor barroco alemão George Philipp Telemann (1681-1767), foi a escolhida para inaugurar a “Ópera na UFRJ” em 2011. Já estão confirmadas quatro récitas no Salão Leopoldo Miguez,  nos dias 12, 13, 14 e 15 de maio e outra no auditório do Centro de Tecnologia do Fundão, em 18 de maio. Em 02 de junho, será a vez de Niterói, e no dia 16, o projeto chega a Petrópolis, ampliando, este ano, a itinerância. Ainda está prevista uma apresentação em Campos.

 

Os professores Marcelo Fagerlande, da EM, e José Henrique Moreira, do curso de Direção Teatral da Escola de Comunicação (ECO), serão responsáveis pela direção musical e cênica, respectivamente. Com participação da Orquestra Sinfônica da UFRJ, a ópera contará também com o próprio Fagerlande e com Clara Albuquerque nos cravos, Bruno Correia na tiorba, Guilherme Barroso no alaúde e Eduardo Antonello na viola de gamba. “A música é linda e de fácil absorção pelo público”, comenta Fagerlande. “Don Quixote e Sancho Pança são testemunhas de uma história de amor entre pastores. É um episódio muito leve”, reforça José Henrique, acrescentando que, com um ato, a apresentação terá duração de uma hora, o que é “um tempo bom, adequado ao trabalho”.

 

O diretor artístico da Escola, Eduardo Biato, salienta que, mais uma vez, a iniciativa congrega alunos, professores e funcionários de três unidades. No elenco, há estudantes da Escola de Música e também da Comunicação. Estarão em cena 15 cantores, sendo sete solistas e oito no coro, e também seis atores, alunos do Curso de Direção Teatral. Os solistas são: Fernando Alves, Don Quixote; Leandro Costa, Sancho Panza; Andre Luiz de Souza, Basilio; Paola Soneghetti, Quitéria; Julia Anjos, Grisóstomo; Bruno dos Anjos Pimentel, Pedrillo e Luan Goes, Comacho. Os cenários e figurinos, preparados pela Escola de Belas Artes (EBA), já estão “bem adiantados”, avisa José Henrique. A coreografia será da ECO, que também participa da produção, juntamente com funcionários da EM. Considerada uma das mais bem sucedidas experiências de ensino e extensão, é um trabalho “da Universidade” em todos os sentidos, ressalta José Henrique. 

 

Sobre a obra

 

 

Arte sobre desenho de Portinari
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Don Quixote é um dos personagens mais queridos e famosos de toda a literatura mundial. Genial criação do escritor espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616), o tragicômico “cavaleiro da triste figura” sempre seduziu os compositores e, ao longo dos séculos, suas aventuras foram traduzidas em música e transpostas para o palco na forma de suítes, poemas-sinfônicos, canções, óperas e balés.

 

São muitos os exemplos. Uma das primeiras obras é a música incidental composta pelo inglês Henry Purcell entre 1694 e 1695. Entre as óperas há as versões de Francesco Bartolommeo (1719), Antonio Caldara (1733), Joseph Bodin de Boismortier (1743), Antonio Salieri (1770), Niccolò Piccinni (1773), Pietro Generali (1805) e Jules Massenet (1910). Don Quixote foi também enredo para o balé criado para o Teatro Bolshoi em 1869 pelo compositor Ludwig Minkus e o coreógrafo Marius Petipa, um clássico da dança. No terreno da música sinfônica destacam-se os poemassinfônicos de Anton Rubinstein (1870), Viktor Ullman (1944) e, o mais conhecido e executado entre todos, o de Richard Strauss (1897), em que o violoncelo solista personifica Don Quixote e a viola, seu fiel escudeiro Sancho Panza.

 

Em seus muitos anos de vida e extensa produção, o compositor barroco alemão George Philipp Telemann abordou a música de cena tanto em grandes óperas quanto em comédias de curta duração, chamadas de intermezzos ou serenatas. Deixou ao todo 17 óperas, sendo a última DON QUICHOTTE AUF DER HOCHZEIT DES COMACHO, escrita quando o compositor já havia ultrapassado os oitenta anos. A origem da obra está em um libreto intitulado Basilio und Quiteria, elaborado pelo então jovem escritor Daniel Schiebeler (1741-71) com base em episódio da obra de Cervantes. Schiebeler o ofereceu a Telemann com a proposta de transformá-lo em uma ópera.

 

Telemann aceitou com entusiasmo, mas propôs algumas alterações no texto, começando pelo título. O compositor concluiu a música no outono de 1761 e a serenata estreou na sala de concertos Dreybahn, em Hamburgo. O caráter cômico da obra é acentuado pelo antagonismo dos dois personagens principais. A figura mundana de Sancho Panza, montado em seu burrico Gris, se contrapõe ao altivo e delirante Don Quixote, montado em seu alazão Rocinante. A participação do coro fornece o ambiente popular para uma celebração de casamento ao ar livre. Não faltam também momentos mais sentidos, como na bela ária de Grisóstomo.

 

Sinopse da Ópera

 

A história se passa em uma aldeia. Enquanto percorrem a estrada, Don Quixote e Sancho Panza discutem sobre os valores de um verdadeiro herói e recordam suas aventuras. Um grupo de pastores se aproxima e Quixote já vislumbra uma nova aventura. Dois jovens, Pedrillo e Grisóstomo, se apresentam e contam aos viajantes o casamento entre o rico Comacho e a bela Quitéria. Don Quixote retruca dizendo que nenhuma mulher pode ser mais bela do que sua Dulcineia e se dispõe a enfrentar aquele que discordar. Os pastores, então, perguntam quem são os dois viajantes e ouvem: o fidalgo cavaleiro Don Quixote de la Mancha com seu fiel cavalo Rocinante e Sancho Panza e seu burrico Gris.

 

Grisóstomo, então, se lembra que, enquanto todos estão em festa e alegres, há alguém que sofre com o casamento. Diz tratar-se de Basílio, que ama Quitéria desde criança. Esta, por sua vez, casará com Comacho por sua riqueza.

 

Nesse momento, um grupo se aproxima trazendo a noiva e cantando uma alegre canção. A festa vai começar. Sancho inspeciona o banquete que será servido. Começa a celebração e a noiva chora. Grisóstomo lembra aos convidados que todas as noivas choram antes do casamento. Sancho diz que não se lembra de ter visto sua mulher chorar em seu casamento. A chegada de Basílio interrompe a festa. Este, amparado por amigos, diz que está morrendo e que a morte porá fim a seu sofrimento. Após dirigir palavras duras a Quitéria, faz um último pedido: que se case com ele para, após declarar seu amor, poder morrer em paz. Comacho não aceita a proposta mas, pressionado por todos, acaba por ser convencido. Quitéria, emocionada, cumpre o último desejo de Basílio e se casa com ele. Entretanto, subitamente Basílio recobra a saúde e diz que tudo foi um engano. Furioso, Comacho pede vingança. É o momento em que Don Quixote, ignorando o conselho de seu servo para não se intrometer, diz que os céus uniram Basílio e Quitéria e que assim deveriam permanecer. Comacho, após certa resistência, acaba por ceder ao apelo de Don Quixote e se retira. Sancho Panza desfruta do banquete e todos se unem em coro para celebrar o casamento.

 

Telemann

 

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Telemann (1681-1767)

GEORGE PHILIPP TELEMANN é considerado um dos mais importantes compositores alemães, com uma grande produção musical em diferentes formas e estilos. São mais de 1.700 cantatas, 6 oratórios, 17 missas, 17 óperas, além de muitas canções. Também se dedicou ao ensino e divulgação da música, publicando diversas obras de caráter didático.

 

Aos 21 anos, foi diretor musical da Ópera de Leipzig, onde fundou o Collegium Musicum, mais conhecido como Telemanniano, que passou a ser dirigido, a partir de 1729, por Johann Sebastian Bach. Depois de ser organista e mestre de capela em cidades como Eisenach e Frankfurt, Telemann tornou-se diretor da Ópera de Hamburgo, que estava em crise, e conseguiu animar a vida musical da cidade permitindo o acesso de todos os cidadãos, e não apenas os nobres, aos concertos.

 

Residiu oito meses em Paris, tempo suficiente para receber consagração internacional. Nos últimos anos de vida, reduziu consideravelmente sua produção artística, sendo a ópera Don Quixote uma de suas últimas composições. Faleceu aos 86 anos em Hamburgo.

 

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