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João Guilherme Ripper estreia música em homenagem a Vinícius de Moraes

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Matéria publicada em O Globo (30/05/2013) e reproduzida no site do jornal com João Guilherme Ripper, compositor e docente da Escola de Música.

 

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Ripper homenageia o Poetinha

Regente e compositor carioca estreia hoje, em São Paulo, "Cinco poemas de Vinícius Moraes para soprano e orquestra", obra encomendada pela Osesp

 

Marcelle Ribeiro

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De São Paulo

 

A infância, os amores, as amizades, a poesia e a expectativa pelo fim da vida do compositor e poeta Vinicius de Moraes foram extraídos de cinco de seus poemas e traduzidos em música pelo compositor e regente de orquestra carioca João Guilherme Ripper, em uma obra que estreia mundial nesta quinta-feira. Encomendada pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) para homenagear o centenário de nascimento de Vinicius, “Cinco Poemas de Vinicius de Moraes para soprano e orquestra” terá apresentações na Sala São Paulo, no Centro da capital paulista, também amanhã e no sábado.

 

Ripper escolheu partir de cinco poemas de Vinicius e encadeá-los para traçar um percurso biográfico do homenageado. “Uma música que seja” fala do nascimento do som e da origem da poesia. Em “O poeta aprendiz”, Vinicius narra travessuras de infância. “Poema dos olhos da amada” mostra um Vinicius apaixonado. “Lapa de Bandeira” trata das amizades do poetinha, da Lapa de Manuel Bandeira, da poesia e de vários ritmos musicais. E, para Ripper, “A partida” revela uma visão carnavalizada do fim da vida, com festa e libertação, que o regente traduziu em música clássica com muita percussão.

 

— O meu trabalho foi garimpar a música que já estava dentro dos poemas. O poema tem ritmo, assonâncias. Quando ele repete uma consoante, aquilo se torna quase percussivo, sibilado. Quando li o poema “A partida”, o ritmo batia na minha cabeça e não me deixava dormir — diz Ripper, que pela primeira vez trabalha com obras de Vinicius.

 

A composição de Ripper será regida pela mexicana Alondra de La Parra e a solista brasileira Carmen Monarcha vai se juntar à Osesp para interpretá-la. No mesmo programa, que se insere nas homenagens do centenário de “A sagração da primavera”, de Igor Stravinsky, serão apresentadas outras duas obras: “Sinfonia nº 7 em Lá Maior”, de Beethoven, de 1813, e “Paraísos artificiais”, do português Luís de Freitas Branco, de 1913.

 

A obra de Ripper será apresentada também em dezembro, na embaixada brasileira em Berlim, na Alemanha, mas não há previsão de apresentações no Rio ou em outras cidades brasileiras.

 

João Guilherme Ripper, que diz que seu trabalho com música começou desde pequeno, quando amava poesia e sentiu a necessidade de “cantar os poemas”, ficou honrado com o convite para homenagear Vinicius.

 

— Poder dizer que junto com Tom Jobim, Carlos Lira e Pixinguinha, eu também fui parceiro de Vinicius é algo para contar aos meus netos — diz o autor das óperas “Anjo negro”, sobre texto de Nelson Rodrigues, e de “Piedade”, além de obras como “Olhos Capitu”.

 

Duas novas obras a caminho

 

Ripper, que é diretor da Sala Cecilia Meireles, está produzindo outras duas composições. Para a próxima Bienal de Música Brasileira Contemporânea, em outubro, compõe “Lux aeterna”, para mezzo soprano, quarteto de cordas e corne inglês, que vai mesclar textos da Missa de Réquiem de Verdi com textos japoneses e chineses para tratar da vida e da morte. Além disso, sob encomenda da Escola de Música da UFRJ, prepara uma ópera cômica sobre a obra de Martins Pena “O diletante”, para estrear em 2014.

 

Legenda:


João Guilherme Ripper: “O Meu trabalho foi garimpar a música que já estava dentro dos poemas”, diz ele sobre sua obra, ainda sem previsão de estreia no Rio.

Correspondência

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