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Crítica: Duo Santoro lança CD em que prestigia a música brasileira

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Critica publicada no site do jornal O Globo em 13/06/2013 sobre CD recentemente lançado pelo Duo Santoro, conjunto formado pelos irmãos gêmeos Ricardo e Paulo Santoro, ambos músicos da Orquestra Sinfônica da UFRJ (OSUFRJ). O texto do encarte é de autoria de André Cardoso, atual diretor da Escola de Música.

 

Crítica: Duo Santoro lança CD em que prestigia a música brasileira
Incluindo vários compositores vivos, repertório transita por diferentes estilos, ancorado com frequência no folclore nacional
EDUARDO FRADKIN
Divulgação
duosantoro500
RIO - Formações como a do Quinteto Villa-Lobos, só com instrumentos de sopro, ou a do Duo Assad, de violões, as quais fogem dos padrões mais canônicos da música clássica — como o quarteto de cordas nos moldes de Haydn ou os duos que juntam um instrumento de cordas a um piano —, têm contribuído para a criação de um repertório bem curioso no Brasil. É interessante não só pela exploração das sonoridades desses conjuntos como pelo uso do folclore nacional, ainda bastante em voga (Mário de Andrade e Villa-Lobos devem estar assoviando nos túmulos). Essas qualidades ressoam alto no CD “Bem brasileiro”, do duo de violoncelos formado pelos irmãos gêmeos Ricardo e Paulo Santoro, a ser lançado dia 28. O disco traz a produção de 12 compositores brasileiros, sendo a maioria do nosso tempo. Algumas obras foram dedicadas ao próprio Duo Santoro. São os casos da “Cantiga e desafio”, de João Guilherme Ripper, do “Duo”, de Alexandre Schubert (um dos principais nomes da nova geração nacional), do “Choro”, de Waldemar Szpilman, e de “Nazareteando”, de José Alberto Kaplan. O emprego de temas populares, aparentes em títulos citados e em outros, como o “Choro seresteiro” de Osvaldo Lacerda, dá uma certa unidade estética ao CD, embora as diferenças de estilos dos compositores sejam inegáveis. Os violoncelistas exploram bem a melancolia de peças como “Murucututu”, dos “Três temas do folclore”, de Ricardo Medeiros, se esbaldam nas dissonâncias de Villa-Lobos, em “O trenzinho do caipira”, e se anunciam mais austeros nos “Três duetos modais”, de Ernst Mahle, de caráter acadêmico. Seus instrumentos ora soam ásperos, ora macios, como no cantabile crepuscular da “Modinha”, de Francisco Mignone. A falta de variação tímbrica dos instrumentos, inevitável num duo assim, pode cansar um pouco o ouvido, mas tudo bem: os 57 minutos de “Bem brasileiro” valem mais de uma audição.

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