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Início Escola de Música na Imprensa “Cosi fan tutte”, na Escola
“Cosi fan tutte”, na Escola PDF Imprimir E-mail
Veículo: Movimento.com   
Dom, 08 de Julho de 2012

Leia crítica que Marcus Góes, musicólogo, crítico de música e dança e pesquisador, escreveu no site Movimento.com, 06/07/2012, sobre a montagem da ópera "Cosi fan tutte", de Mozart, encena na Escola de Música da UFRJ.

 

“Cosi fan tutte”, na Escola

 

Verdi fazia questão de que cada parte ou ato de suas óperas durasse 42 minutos e chamava a atenção de seus libretistas, montadores, técnicos, etc.

 

Diferente de Wagner, que se achava um Deus da música e do teatro,Verdi pensava no público, para quem ficar duas horas sentado vendo as Nornas fiando o destino era um verdadeiro suplício.

 

Nem o regente André Cardoso, nem o concebedor cênico André Heller, nem o diretor cênico Danel  da Luz pensaram nisso e, mesmo tendo oportunidade de mudar Da Ponte e Mozart e suas durações e atos e cenas, obrigaram o distinto público a permanecer sentado perto de uma hora e meia na primeira parte desse Così. Assustados e de traseiro doendo, muitos foram embora no fim da infindável primeira parte, ”versão clássica” que não se sabe se foi assim encenada em Viena em 1790.

 

Isto posto, só temos, no geral, elogios para o que vimos e ouvimos. Esse “Così” foi muito bom. O número e o rigor dos ensaios devem ter sido grandes para que se obtivesse tal homogeneidade e correção musical. É inevitável que em uma ópera de tantas cenas de conjunto, com não muitas árias e cenas com uma personagem só em cena, houvesse um ou outro pequeno deslize, alguns sons aflautados dos sopranos, uma colcheinha mais prolongada. Mas, no todo, tanto orquestra quanto solistas e coro levaram a cabo uma edição musicalmente correta, dentro do estilo bufo-mozartiano requerido, com um “Come Scoglio” e uma “Aura Amorosa” deliciosamente cantados pelo soprano Manuela dos Santos e pelo tenor Wladimir Cabanas, respectivamente, com o barítono Patrick de Oliveira, o meio-soprano Lara Cavalcanti, o baixo Murilo Neves e o soprano Daruã Góes (será minha prima ?…) em ótimas presenças vocais e cênicas. No final, houve aqui e ali alguma incômoda rouquidão ou ao menos cansaço das vozes, mas não é prá menos: carregar uma tonelada às costas é de prostrar o próprio Hércules…

 

A regência de André Cardoso foi excelente e em suas mãos a Orquestra Sinfônica da UFRJ rendeu apropriadamente. Sua direção musical na junção orquestra/solistas vocais foi mais que excelente e mais que apropriada.

 

A concepção e coordenação cênica de André Heller (sem o “Lopes” que enfeia nome tão bonito…)  foram o que deviam ser: simples mas inteligentes, alegres, irônicas, de visuais agradáveis e condizentes com as palavras. Idem para a direção cênica de Daniel da Luz (…..). Belo e eficiente trabalho de Homero Velho na  preparação vocal e eficientíssima a preparação do coro de Maria José Chevitarese (Calábria? Sicília? De onde vem este nome ?…)

 

De parabéns a Escola Nacional de Música (para mim,sempre com este nome…). Fundada por Francisco Manuel sob outro nome, não vai deixar de ser “nacional” como os deputados paulistas querem …

 

LABOR OMNIA VINCIT

MARCUS GÓES – JULHO 2012

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