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Concertos UFRJ: a música colonial de São Paulo

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Concertos UFRJ retomam o passeio pela música colonial brasileira. O programa já visitou a produção das cidades históricas de Minas Gerais e do Nordeste, nesta semana é a vez dos compositores que viveram e criaram em São Paulo. Uma São Paulo bem distante, é verdade, da pujança que exibirá séculos mais tarde, mas que nos legou um material que não pode ser subestimado. Apesar de não ter à época a relevância de outras regiões do país, um número significativo de manuscritos foi preservado, o que nos permite aquilatar a diversidade e complexidade da vida musical do período.

podcast

Ouça aqui o programa: 

Toda segunda-feira, às 22h, tem "Concertos UFRJ" na Roquette Pinto FM. Sintonize 94,1 ou acompanhe pela internet!

Programas anteriores podem ser encontrados na seção Concertos UFRJ.

 

O grupo de Mogi das Cruzes

 

Durante muitos anos o recitativo e ária de autor anônimo encontrados na Bahia, cujas partituras foram estabelecidas como de 1759, foram considerados os manuscritos musicais brasileiros mais antigos. Um achado fortuito nos anos 1980 fez, porém, recuar esta data em décadas. Quando examinava os documentos no Arquivo Municipal com objetivo de montar o museu sacro da cidade, o pesquisador Jaelson Trindade encontrou servindo de forro à capa do Livro Foral da então Vila de Mogi das Cruzes, uma série de partituras da primeira metade do séc. XVII. As obras teriam sido compostas, ou apenas copiadas, pelos padres Faustino do Prado Xavier, mestre de capela da Sé da cidade, e seu irmão, Ângelo do Prado.

 

Desse importante acervo, o programa apresentou o vilancico, cantado em português, “Matais de Incêndio” e a peça sacra “Ex Tractatu Sancti Augustini”, que revelam a prática da música polifônica na região. A interpretação veiculada foi a do grupo Vox Brasiliensis, sob a direção de Ricardo Kanji.

 

Jesuíno do Monte Carmelo


Mulato, filho e neto de escravas, Frei Jesuíno do Monte Carmelo, nome religioso de Jesuíno Francisco de Paula Gusmão, é exemplo impressionante de artista múltiplo, como tantos outros do nosso período colonial. Com atuação significativa na região comprendida entre Santos, onde nasceu em 1764, e Itu, onde faleceu em 1819, foi pintor, arquiteto, dourador, entalhador, escultor, músico e poeta. Sua biografia mereceu, aliás, um importante estudo do escritor Mário de Andrade publicado pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

 

As obras de Frei Jesuíno podem ser apreciadas em várias igrejas paulistas. Na cidade de São Paulo, em 1796, pintou o forro da nave da Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e os painéis do antigo Convento de Santa Teresa, que atualmente compõem o acervo do Museu de Arte Sacra. Em Itu, realizou os forros da capela-mor e da nave da Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo, por volta de 1784, e os painéis laterais da capela-mor da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, datados do fim do século XVIII. Entre 1815 e 1819, dirigiu a construção da Igreja e Convento de Nossa Senhora do Patrocínio, desempenhando simultaneamente as tarefas de arquiteto, mestre-de-obras, pintor e escultor. Realiza ainda oito quadros para a igreja e compôs músicas sacras para sua inauguração. Faleceu antes de terminar a obra, que foi concluída por seus filhos e inaugurada em 1820.

 

Da sua obra musical, a edição apresentou a “Ladainha de Nossa Senhora” com a orquestra e o coral Vocalis sob a regência de Vitor Gabriel Araújo.

 

André da Silva Gomes

 

Outro expoente da época foi André da Silva Gomes, compositor português nascido em 1752 e que se transferiu para o Brasil por volta de 1774 para assumir o posto de mestre de capela da Sé de São Paulo. Além músico militar foi, também, professor de gramática latina.

 

André da Silva Gomes despertou o interesse de vários musicólogos. Entre eles, Regis Duprat, que dedicou a ele um importante estudo e levou a cabo a catalogação de sua produção. É Duprat quem afirma: “Os músicos da época colonial exerciam a profissão de forma mais avançada do que poderíamos imaginar. O Tratado de Contraponto, de André da Silva Gomes, revela regras do bem-compor que um bom músico europeu poderia seguir”.

 

O compositor faleceu em 1844, aos 92 anos, na cidade de São Paulo. De sua obra nos chegaram cerca de 130 partituras, sendo que as mais antigas datam de 1774. Uma produção variada que inclui antífonas, cânticos religiosos, hinos, ladainhas, missas, noturnos, ofertórios, ofícios fúnebres, ofícios da Semana Santa, salmos etc.

Concertos UFRJ apresentaram a sua “Missa a 8 vozes em Mi bemol”, escrita por volta de 1785. A interpretação, a de Luiz Otávio de Souza Santos à frente dos conjuntos do 14o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora.

 

Concertos UFRJ resultam de um convênio da UFRJ com a rádio Roquette Pinto, indo ao ar toda segunda-feira, às 22h, na sintonia 94.1 Apresentado por André Cardoso, regente titular da OSUFRJ, as edições podem ser acompanhadas on line ou por meio do podcast (áudio sob demanda) da Roquette Pinto (FM 94,1).

 

Contatos através do endereço eletrônico: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

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