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Estrela da Escola de Música, o órgão G. Tamburini revive seu esplendor

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Matéria publicada em O Globo, edição do dia 09/04/2012, sobre reinauguração do órgão Tamburini da Escola de Música.

 

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Estrela da Escola de Música, o órgão G. Tamburini revive seu esplendor

Instrumento, o maior da cidade, é restaurado e ganha concertos a partir de amanhã

 

Catharina Wrede

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G. Tamburini nasceu em 1954 na Itália e, de lá, veio direto para o palco da sala de concertos Leopoldo Miguez, da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Passeio. Seus mais de cinco mil tubos sempre lhe conferiram o status de estrela. Deixado de lado nos últimos anos, à mercê dos cupins, ele padeceu. Mas agora, depois de uma intervenção drástica, o órgão da UFRJ, o maior da cidade e o quinto do país, se prepara para voltar à cena, amanhã, em uma série de quatro concertos em que será o centro das atenções.

 

– Parecia que ele havia passado por uma guerra compara o organeiro Márcio Rigatto, que, junto com seu irmão, Daniel, assina a restauração do Instrumento. – Tivemos que reconstruir 70% dele.

 

Sonoridade em desuso


Isso quer dizer que os quatro teclados manuais com 64 teclas cada, os 122 tabletes de registros sonoros, a pedaleira de 32 teclas, os três pedais de extensão e crescendo e os mais de cinco mil tubos tiveram que ser, rigorosamente, inspecionados e, na maior parte dos casos, trocados por novos.

 

Tido por Wolfgang Amadeus Mozart como o instrumento mais completo, o órgão foi sendo deixado de lado com o passar dos anos. Restrita a igrejas, sua sonoridade imponente caiu em desuso, e as turmas dedicadas a formar organistas na Escola de Música da UFRJ foram relentando.

 

– Não é um instrumento como o piano ou o violino, que você pode praticar em casa – diz o professor de órgão da Escola de Música da UFRJ Alexandre Rachld. – Isso dificulta o interesse. Mas agora, com o restauro, sinto que os alunos estão voltando a procurar as aulas.

 

Dupla responsável pelo trabalho, os irmão s Rigatto, da Família Artesã Rigatto & Filhos Ltda. herdaram a tradição de organeiro – quem conserta e fabrica órgãos – do pai, José Carlos Rigatto. Foi ele quem, em 1968, foi chamado para fazer a primeira restauração do órgão G. Tamburini nome da fábrica responsável pelos instrumentos do Vaticano – na escola de música. José Carlos fez a manutenção do instrumento até 1989, quando, segundo Márcio, deixou de ser pago pelo serviço – Meu pai cuidava dele por amor, mas, depois de um tempo, ficou Inviável fazer tudo de graça.

 

Sob o olhar de José Carlos, o órgão viveu sua era de ouro na Sala Leopoldo Miguez, sendo tocado pelos maiores organistas da época, como o alemão Karl Richter (1926-1981) e o francês Pierre Cochereau (1924-1984), da Notre Dame de Paris.

 

O órgão não estava abandonado – rebate o regente André Cardoso, diretor da Escola de Música da UFRJ desde 2007. – O que precisava ser feito era uma modernização. O cupim foi inevitável, como é em toda a cidade do Rio.

 

Neste ponto, não há dúvidas: os cupins não poupam nada. Em 20 anos, eles fizeram a festa na consola (parte do instrumento que fica no palco e lembra um piano), esculpida em madeira. Originalmente revestida de pinho europeu (que “não está acostumado com os cupins daqui”, segundo Daniel), a peça estava destroçada. Como substituta, foi posta madeira de lei brasileira, resistente ao inseto.

 

O restauro do órgão faz parte do projeto de reforma da Sala Leopoldo Miguez, com verba da Petrobras (R$ 2 milhões) e da própria UFRJ (R$ 1,5 milhão). O orçamento para consertar o instrumento – segundo Márcio elaborado por eles há 12 anos e só agora, na gestão de André Cardoso, aprovado – foi de R$ 820 mil, “baratíssimo para um trabalho espetacular desses”, diz o patriarca José Carlos. As apresentações de abril contarão com o professor Alexandre Rachid e com uma veterana: Gertrud Mersiovsky, professora da única geração de organistas brasileiros, como Rachid. O concerto inaugural, amanhã, é com ela, às 18h30m, na sede da escola.

 

Foto

Créditos: Mônica Imbuzeiro

Legenda: ANDRÉ CARDOSO (à esquerda), diretor da escola, e os irmãos Rigatto, restauradores, com o órgão, de 1954

 

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