172 ANOS FORMANDO MÚSICOS DE EXCELÊNCIA

História exemplar: um jovem talentoso, uma flauta roubada e um gesto de solidariedade

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Quando Felipe Arcanjo se apresentou no início de dezembro à banca do tradicional Concurso para Solistas da Orquestra Sinfônica da UFRJ (OSUFRJ) estava diante de dois grandes desafios: interpretar o desafiante Concertino para flauta em ré maior, escrito em 1902 pela compositora francesa Cécile Chaminade, e superar o desconforto de tocar em público pela primeira vez um instrumento emprestado às pressas, quase desconhecido. A sua flauta, uma Yamaha 581 Japan, com a qual ensaiara durante meses, havia sido roubada seis dias antes.

  Reprodução
 

“Escolhi o Concertino porque, além de me marcar muito, me identifiquei com sua expressividade e sensibilidade”, afirma Felipe, que cursa o Bacharelado em Flauta da Escola de Música (EM), sob a orientação dos professores Afonso Oliveira e Eduardo Monteiro. “Minha preocupação maior era, porém, a flauta. Apesar do modelo ser igual ao da minha, o bocal é diferente”, acrescenta sublinhando as dificuldades de adaptação.

A relação do músico com seu instrumento é sempre muito pessoal e até flautistas experientes podem levar tempo para se familiarizar com novidades. “Foram apenas dois dias de estudos incansáveis para me acostumar e, mesmo levando em consideração as dificuldades, acabei aprovado”, conta com orgulho. Na temporada 2020 ele será um dos solistas da OSUFRJ, em concerto sem data ainda definida.

Assalto

“No dia em que fui roubado, estava estudando na EM, me preparando para o concurso”, recorda. Felipe, que trabalha também para uma empresa de casamentos, participou a noite de um concerto da Prefeitura de Itaguaí, onde é funcionário. “É como tiro meu sustento. Pobre não tem condições de estudar música e ser bancado pelos pais. Enquanto estudamos, temos que trabalhar”.

Depois da apresentação, combinou dormir em São João de Meriti na casa do amigo Wesley Lucas, aluno de Percussão. Quando estavam perto do Shopping Grande Rio foram rendidos por dois assaltantes que levaram o carro, emprestado da avó de Felipe, com tudo dentro. Horas depois ele foi recuperado pela polícia, mas não seus pertences – flauta, flautim, documentos, carteira, smartphones, além das baquetas e do iPad do Wesley. Um prejuízo da ordem de 20 mil reais.

Um golpe irreparável se seu amigo Rômulo Barbosa, ex-aluno de Bacharelado e concluindo o Mestrado Profissional em Música (PROMUS), não lhe emprestasse no dia seguinte uma de suas flautas. Um gesto de solidariedade que lembra com gratidão: “Foi a salvação em um momento de angústia, eu estava me preparando para o concurso de solista desde o início do semestre”.

Desde o assalto Felipe está sem poder estudar e exercer plenamente sua profissão. Para comprar uma nova flauta, montou uma vaquinha online, crowdfunding na linguagem da Internet. Até o fechamento desta matéria pouco mais da metade da meta de sete mil reais havia sido atingida.

Acaso

Agora com 21 anos Felipe, como muitos estudantes da EM, tem origem humilde e nasceu em Itaguaí, município da Região Metropolitana do Rio, distante cerca de 70 quilômetros da capital do estado. Iniciou seus estudos musicais com 12 anos no Projeto Garoto Cidadão da CSN, pareceria da Siderúrgica com o poder público, e na escola municipal de música Chiquinha Gonzaga em sua cidade natal. Ele lembra bem de dois professores que o marcaram muito: Márcio Mello e Carlos Botelho. “Eles foram responsáveis pelo que sou hoje”, disse.

O interesse pela flauta surgiu por acaso. “Foi uma história engraçada, na verdade eu queria tocar saxofone, mas como havia muitos alunos de sax e faltava interessados em flauta, meu primeiro professor, Márcio Mello, me pediu para tocar o instrumento e até hoje estou aí”, afirma.

No ensino médio Felipe foi aluno da Faetec Marechal Hermes, onde ganhou uma bolsa na Banda Sinfônica da instituição, o que permitiu manter seus estudos. Aos 19 anos ingressou no Bacharelado da EM e desde então vem desenvolvendo “um trabalho sólido”, como gosta de dizer.

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