170 ANOS FORMANDO MÚSICOS DE EXCELÊNCIA

Canto que transforma vidas

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Matéria de página inteira publicada no Jornal do Sinturfj, 20 a 26 de agosto de 2018, sobre Coro Infantil da Escola de Música, idealizado pela professora e regente Maria José Chevitarese.

 
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  Jornal do Sintufrj, 20 a 26 de agosto de 2018.

Canto que transforma vidas

Um lugar e uma professora especiais têm feito a diferença para centenas de crianças e adolescentes

Ao passar pelo Passeio Público, no Centro do Rio, podemos ouvir o belo som que transcende as paredes e as enormes janelas da Escola de Música da UFRJ. São as vozes do Coro Infantil em mais um dia de ensaio. Uma das joias da unidadeacadêmica que está completando 170 anos de existência.

O ensaio do dia 14 de agosto reuniu os 52 alunos, de 7 a 16 anos. Eles estavam se preparando para a apresentação de aniversário da escola marcada para dali a dois dias. Foi um ensaio especialíssimo, pois dele participou o contratenor Luan Góes, 30 anos, dono de uma poderosa voz, ex-aluno da unidade e que atualmente estuda canto em Paris.

Talentos despertados

A idealizadora do Coro Infantil é a professora e regente Maria José Chevitarese, atual diretora da Escola de Música. Ela fala com emoção e orgulho do trabalho com as crianças, que em 2019 completará 30 anos e já beneficiou mais de mil crianças e adolescentes. A maioria entra pequerrucho e permanece durante muitos anos.

Luan Góes, por exemplo, entrou aos 7 anos no Coro Infantil, ingressou na Escola de Música para estudar piano e foi para o coro adulto. Saiu aos 23 anos para aceitar o convite de ir estudar na prestigiosa École Normale de Musique de Paris-Alfred Cortot, iniciando a carreira de concertista internacional. “Venho de uma família paupérrima, mas no coro da UFRJ descobri minha voz. Se não fosse isso, não teria tido essa trajetória de vida”, afirma Luan.

“Eu acredito que toda criança deve ter oportunidade de fazer alguma atividade com música. É importante para sua formação. É um trabalho que completará 30 anos em 2019 e que ajudou a transformar muitas vidas”, disse Chevitarese, professora desde 1978 da UFRJ.

Ao invés de se aposentar, ela optou em se dedicar ao Coro Infantil. “Você acompanha o crescimento deles. Se vê modificando vidas, formar cidadãos. Esse é o meu maior pagamento”, fala, emocionada, a regente.

Ascensão social

Luan é um entre muitos. “Nesses quase 30 anos de trabalho, conseguimos que várias crianças tivessem uma ascensão social partindo do trabalho do Coro”, disse Chevitarese, e explica que são criadas estratégias pedagógicas para que elas desenvolvam a musicalidade, afinação e integração ao coro.

“Temos outros nomes importantes que vieram de uma condição bastante desfavorável financeiramente e hoje ganham salários de R$ 10 mil cantando”. Segundo ela, vários alunos do Coro chegaram ao ensino superior.

O Coro recebe todas as crianças de braços abertos. Elas vêm de todos os lugares do Rio, e nem todas são de baixa renda, mas 70% são oriundas de escolas públicas. Desde pequenas, elas aprendem a atuar profissionalmente, adquirem responsabilidade e postura. Tiê, hoje com 14 anos, entrou com sete anos e já foi solista em várias óperas. Tímido, ninguém imagina que ele se apresenta para uma plateia de mais de duas mil pessoas. “Minha vida é a música”, afi rma, com convicção. Essa frase ele repete desde os sete anos. Sobre o futuro dele, Chevitarese não tem dúvidas: seguirá com certeza a carreira de músico.

Correspondência

Escola de Música da UFRJ
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